Entrelinhas

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Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Um recuo parcial

O prefeito Nilson Costa (PTB) fez ontem um recuo parcial em relação ao clamor que ecoa nas ruas e entre formadores de opinião, todos contrários à confissão de uma dívida de quase R$ 15 milhões com a CPFL pela forma como ocorreu, apressadamente, sem contrato e sem transparência. O prefeito suspendeu o pagamento, mas não rompeu o acordo.

• "Artimanha"

O vereador Toninho Garmes (PSDB), relator da CEI da CPFL, utiliza o termo acima para avaliar a decisão do prefeito. Para o tucano, Nilson recuou pressionado e ainda tentou se livrar da obrigação de explicar. A tática, segundo Garmes, é transferir para o Ministério Público o esclarecimento sobre a dívida.

• História se repete

Não é a primeira vez que o prefeito é forçado pela opinião pública a rever decisões. Mas, como nas outras vezes, ele preferiu atacar o papel deste jornal, que não abre mão de cobrar explicações, em respeito à comunidade a quem serve. O caso marmitex só não virou um grande rombo porque o JC denunciou e o prefeito decidiu, na última hora, não assinar o contrato, no início de seu mandato.

• A serviço de Bauru

Recentemente, também por dúvidas lançadas pelo JC, a prefeitura voltou atrás em licitações estranhíssimas que iriam ser realizadas para recapear a Rodrigues Alves e reformar a ponte do Mary Dota, obras até hoje não concluídas. Os ataques de Nilson ao jornal, feitos ontem, no Fórum, são recebidos por este matutino com tranqüilidade e com a certeza absoluta do cumprimento de nossos compromissos com Bauru e a região.

• Clareza e cuidado

Vamos reiterar, para evitar que se propaguem por aí falsas versões da realidade - coisa comum em política: o jornal e a cidade de Bauru não são a favor de dar calote em ninguém. A sociedade exige cuidado, transparência, zelo, coerência e clareza no uso do dinheiro público, que é enviado todo mês à prefeitura a partir do suor de cada cidadão.

• Dose de humildade

A manjada tática de remeter à Promotoria o ônus da explicação pelo que foi feito não seria necessário se, junto da decisão de suspender os pagamentos, houvesse uma autocrítica, de forma humilde - que até mereceria aplausos -, em razão da maneira como se tentou enfiar goela abaixo da população este pesado fardo. Rever um erro não é demérito para ninguém.

• Dinheiro público

Assim que ficasse claro, através da Justiça (onde o caso já se encontrava), que essa dívida deveria ser paga, por este valor ou que fosse por apenas R$ 100,00 a menos, poderia se fazer o acordo sem sustos e com aprovação da população. Mas o que se observou foi uma tentativa de botar nariz de palhaço em todo mundo.

• Sem lógica alguma

Repetimos, o fato mais grave não é o alto valor, mas como tudo se deu, na calada de um governo, sem uma negociação sólida e de mão beijada, sem que se cobrasse da CPFL informações sobre a metodologia e ainda pelo uso que ela faz do solo. Nilson fugiu totalmente aos padrões normais de uma negociação. Qual seria o problema em esperar que a Justiça decida se a forma como a CPFL cobra é correta, se até o Tribunal de Contas orientou pela espera?

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