Saúde

Estrabismo deve ser tratado até 6 anos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O estrabismo é outra patologia ocular que merece atenção especial. Embora o alinhamento entre os olhos possa ser corrigido a qualquer momento, a chance de se promover o desenvolvimento do olho “fraco” para que a criança tenha uma acuidade visual normal vai até os 6 anos de idade, quando encerra-se o desenvolvimento ocular.

O médico oftalmologista Ricardo Viegas Berriel explica que o estrabismo é caracterizado por um desalinhamento dos olhos. Ao invés de movimentarem-se simultanea e paralelamente, os globos “apontam” para lados e direções diferentes. O resultado disso é uma visão dupla.

“Se a criança tentar ver com os dois olhos, vai ver duas imagens distintas, o que é desconfortável. Então, o cérebro anula automaticamente a imagem do olho desalinhado - ou de um deles, quando há desvio nos dois. Quando o cérebro passa a considerar só a imagem de um dos olhos, o outro não se desenvolve adequadamente”, descreve.

De acordo com o oftalmologista Marco Antonio Busch, quando o problema é identificado precocemente, o primeiro passo é promover o desenvolvimento do olho “fraco”. Isso é feito por meio de exercícios ortópticos e de oclusores. “Você coloca um tampão (oclusor) sobre o olho bom para forçar a criança a enxergar com o outro”, comenta.

Mas a intervenção na qualidade visual precisa ser feita até os 6 anos de idade. Aos 7 anos, a criança já está com o desenvolvimento ocular concluído. Ou seja, se o olho “fraco” não for desenvolvido até essa idade, ele permanecerá “fraco” - uma disfunção chamada ambliopia.

Foi o que aconteceu com o contador Heraldo Meneguetti. Ele conta que já tinha 7 anos quando uma professora chamou a atenção dos pais para o estrabismo. “Antigamente, a gente só ia ao médico em casos extremos”, destaca.

Quando a professora alertou, Meneguetti foi levado ao médico, que indicou o tampão, mas sem sucesso. “Meus colegas zombavam de mim na escola, eu não me acostumei com ele e minha mãe não forçou. Quando procurei o médico já era difícil a reversão. Hoje, meu olho esquerdo tem capacidade visual pequena e isso não pode mais ser revertido”, lamenta.

Conhecendo de perto o problema, Meneguetti deu uma oportunidade diferente para o filho, Giovanni Lucca Meneguetti, 2 anos. “Percebi que ele tinha os olhinhos tortos quando ele estava com 2 para 3 meses. Levamos ao médico e acompanhamos as características do desvio por um longo período”, conta.

A mãe, Lidiane Magalhães Meneghetti, lembra que o menino já usava tampão e óculos aos 3 meses. “Isso foi fundamental para o problema dele se estabilizar. Quando ele estava com 2 anos e 3 meses, o médico decidiu operá-lo para corrigir o eixo”, lembra.

Hoje, Giovanni só usa óculos para assistir à TV, em ambientes escuros ou em atividades que forcem a vista. “O médico disse que em mais uns seis meses a vista deve se estabilizar, acostumar com o ângulo correto dado pela cirurgia. Aí ele deve eliminar os óculos”, comemora a mãe.

Animado pelo médico, Meneghetti também já se prepara para a cirurgia. “Mas só com fins estéticos, porque a acuidade visual eu não recupero mais”, admite.

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