O advogado Daniel De Angeles Augusto Pereira, 24 anos, viajou nove anos até conquistar seu diploma do curso de direito. Ele começou a conhecer o caminho Arealva-Bauru em 95, quando fazia o curso técnico, e só parou em 2003, quando recebeu o diploma da faculdade.
Nos nove anos de viagem ele percorreu aproximadamente 147.600 quilômetros, fazendo duas viagens diárias (ida e volta), considerando uma média de 200 dias letivos.
No ida e volta, o então estudante fez muitos amigos e arrumou uma namorada. “Durante as viagens fiz muitos amigos. O relacionamento pessoal era muito bom. Uma das minhas amigas acabou se tornando minha namorada.”
Ele lembra que todo começo de ano era uma festa no interior do ônibus. “Época de trotes. A gente jogava uma bola de gude no veículo e fazia o calouro procurar. Para as meninas, a brincadeira era a dança. “Fazíamos o concurso de dança.”
O estudante Luiz Antônio Policarpo, 14 anos, está começando a trilhar o mesmo caminho que o advogado. “Este ano comecei a viajar para fazer um curso técnico nas terças e sextas-feiras.“Embora tenha poucos quilômetros rodados em comparação ao advogado, o adolescente diz que a viagem é um momento especial para melhorar o relacionamento pessoal com os outros estudantes.
Ele confessa que conhecia alguns de seus companheiros de viagem. “Outros, aprendi a conhecer. Hoje tenho amigos diferentes.”
O estudante de história Daniel Muniz, 18 anos, viajou durante um ano e parou. Este ano voltou a estudar. “É cansativo, mas morar em Bauru é muito caro, ainda não tenho condições financeiras para arcar com essa despesa.” Ele viaja no ônibus noturno e quando retorna já passa das 23h. “A minha sorte é que em Arealva não tem perigo. Eu chego e vou para casa a pé.”