Ao completar 35 anos de fundação, o Lar Escola “Santa Luzia†para Cegos elegeu uma nova meta: instalar uma oficina experimental de marcenaria. Com o ofício de lixar e envernizar bancos de madeira, os deficientes visuais terão mais uma ferramenta para disputar o mercado de trabalho.
Atualmente, cerca de 40 pessoas atendidas pela entidade complementam a renda familiar com a venda de artesanato, consertos em cadeiras de náilon e com empalhamento de assentos confeccionados em casa. â€œÉ um excelente bico. Já alivia o orçamento. Eu tenho habilidade para uma porção de coisasâ€, diz Élvio Barbosa Rodrigues, que desde 1976 freqüenta a entidade.
Ele está otimista com a instalação da marcenaria, que para ser viabilizada depende do fim da reforma da unidade 1 da entidade. No entanto, a diretoria do Lar Santa Luzia ainda tem de angariar recursos para colocar piso, pintar e instalar a rede elétrica no prédio. Quando concluído, o imóvel contará com dois banheiros, um escritório, três salas, cozinha, área de lazer e um barracão, onde funcionará a marcenaria.
“Por enquanto conseguimos um torno (para a marcenaria) e uma linha telefônica. Começamos a reforma em 2000 porque a situação (do prédio) era muito precária. O teto corria o risco de cair sobre as nossas cabeçasâ€, conta a presidente do Lar Escola, Nilce Regina Capasso Canavesi.
Por essa razão, diz ela, a entidade foi transferida do prédio próprio, na quadra 11 da rua Gerson França, para a quadra 24 da avenida Castelo Branco (unidade 2), num imóvel cedido por um dos colaboradores.
Graças a eles, a entidade obtém recursos para pagar mensalmente seus dez funcionários, além das despesas de manutenção, soma que atinge o montante de R$ 7 mil. “Estamos bitributando os nossos contribuintes, que já pagam impostosâ€, comenta.
A entidade recebe R$ 7 mil por ano de subvenção da administração municipal, valor pago em dez parcelas de R$ 705,00. Já o governo federal libera R$ 3.300,00 em doze vezes. “Esse dinheiro não dá nem para o almoço. Temos uns 500 contribuintes, que nos ajudam como podem. Estamos suando para concluir a obra e instalar a marcenariaâ€, explica a presidente. Ela estima que com R$ 100 mil os dois projetos sejam finalizados.
“Queremos mudar a cara do deficiente visual. Temos um grupo de teatro, de alfabetização em braile, de ensino especial para deficiente mental. A Associação da Mulher Unimediana (AMU) está fornecendo curso de técnicas de locomoção e papel reciclado. Estamos tentando implantar o curso de dança e a marcenaria. Eles (os cegos) têm muita sensibilidade, são muito capazesâ€, garante Nilce.
Vicente Mandalite Júnior, por exemplo, um dos atendidos pela entidade, trabalhou seis anos numa empresa de móveis. Seu colega Reinaldo Rodrigues do Santos desenvolveu o ofício de telefonista por nove anos num hospital de Bauru. Mesmo na época em que trabalhavam, os dois freqüentavam a entidade, que completou 35 anos ontem.
Antes da instituição ser fundada em 1969, os deficientes visuais eram assistidos pela Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos (APIT) e confeccionavam vassouras de piaçaba para vendê-las como espanadores. Por meio da idéia de colaboradores, a APIT transformou-se no Lar Escola Santa Luzia Para Cegos.
Serviço
Os interessados em contribuir com o Lar Escola “Santa Luzia†para Cegos podem procurar a entidade através dos telefones (14) 3236-3435 3236-1977 3223-1754 e 2226-2386.