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Lar para cegos luta por marcenaria

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Ao completar 35 anos de fundação, o Lar Escola “Santa Luzia” para Cegos elegeu uma nova meta: instalar uma oficina experimental de marcenaria. Com o ofício de lixar e envernizar bancos de madeira, os deficientes visuais terão mais uma ferramenta para disputar o mercado de trabalho.

Atualmente, cerca de 40 pessoas atendidas pela entidade complementam a renda familiar com a venda de artesanato, consertos em cadeiras de náilon e com empalhamento de assentos confeccionados em casa. â€œÉ um excelente bico. Já alivia o orçamento. Eu tenho habilidade para uma porção de coisas”, diz Élvio Barbosa Rodrigues, que desde 1976 freqüenta a entidade.

Ele está otimista com a instalação da marcenaria, que para ser viabilizada depende do fim da reforma da unidade 1 da entidade. No entanto, a diretoria do Lar Santa Luzia ainda tem de angariar recursos para colocar piso, pintar e instalar a rede elétrica no prédio. Quando concluído, o imóvel contará com dois banheiros, um escritório, três salas, cozinha, área de lazer e um barracão, onde funcionará a marcenaria.

“Por enquanto conseguimos um torno (para a marcenaria) e uma linha telefônica. Começamos a reforma em 2000 porque a situação (do prédio) era muito precária. O teto corria o risco de cair sobre as nossas cabeças”, conta a presidente do Lar Escola, Nilce Regina Capasso Canavesi.

Por essa razão, diz ela, a entidade foi transferida do prédio próprio, na quadra 11 da rua Gerson França, para a quadra 24 da avenida Castelo Branco (unidade 2), num imóvel cedido por um dos colaboradores.

Graças a eles, a entidade obtém recursos para pagar mensalmente seus dez funcionários, além das despesas de manutenção, soma que atinge o montante de R$ 7 mil. “Estamos bitributando os nossos contribuintes, que já pagam impostos”, comenta.

A entidade recebe R$ 7 mil por ano de subvenção da administração municipal, valor pago em dez parcelas de R$ 705,00. Já o governo federal libera R$ 3.300,00 em doze vezes. “Esse dinheiro não dá nem para o almoço. Temos uns 500 contribuintes, que nos ajudam como podem. Estamos suando para concluir a obra e instalar a marcenaria”, explica a presidente. Ela estima que com R$ 100 mil os dois projetos sejam finalizados.

“Queremos mudar a cara do deficiente visual. Temos um grupo de teatro, de alfabetização em braile, de ensino especial para deficiente mental. A Associação da Mulher Unimediana (AMU) está fornecendo curso de técnicas de locomoção e papel reciclado. Estamos tentando implantar o curso de dança e a marcenaria. Eles (os cegos) têm muita sensibilidade, são muito capazes”, garante Nilce.

Vicente Mandalite Júnior, por exemplo, um dos atendidos pela entidade, trabalhou seis anos numa empresa de móveis. Seu colega Reinaldo Rodrigues do Santos desenvolveu o ofício de telefonista por nove anos num hospital de Bauru. Mesmo na época em que trabalhavam, os dois freqüentavam a entidade, que completou 35 anos ontem.

Antes da instituição ser fundada em 1969, os deficientes visuais eram assistidos pela Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos (APIT) e confeccionavam vassouras de piaçaba para vendê-las como espanadores. Por meio da idéia de colaboradores, a APIT transformou-se no Lar Escola Santa Luzia Para Cegos.

Serviço

Os interessados em contribuir com o Lar Escola “Santa Luzia” para Cegos podem procurar a entidade através dos telefones (14) 3236-3435 3236-1977 3223-1754 e 2226-2386.

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