Polícia

Porte e registro de armas são suspensos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A autorização para registro e porte de novas armas de fogo em Bauru está suspensa desde o final do ano passado, quando a lei que estabelece o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor. A Polícia Civil da cidade aguarda a regulamentação do estatuto e a assinatura de um convênio entre o governo estadual e a Polícia Federal (PF) para voltar a executar o serviço.

O delegado seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, afirma que a interrupção dos registros foi necessária porque o estatuto determina que a permissão para a compra e porte de armas de fogo deve ser emitida apenas pela PF. “Há um artigo que autoriza o governo federal a celebrar convênio com os Estados para que eles façam esse trabalho, mas é preciso aguardar a regulamentação do estatuto”, comenta.

O texto final do decreto que irá regulamentá-lo esteve à disposição da população para consulta pública até terça-feira e, nas próximas semanas, deve ser publicado no Diário Oficial da União. O documento foi elaborado por uma comissão formada pelos Ministérios da Justiça e da Defesa.

O Estatuto do Desarmamento estabelece normas rígidas para a aquisição e utilização de armas de fogo, como a comprovação da capacidade técnica e psicológica de manuseio do equipamento, atestada pela PF ou por seu agente credenciado.

Ciocca afirma, porém, que as exigências feitas pela polícia para permitir o porte e a compra de armas em Bauru já eram rigorosas antes mesmo da aprovação do estatuto. Além de comprovar a necessidade do uso, o interessado passava por uma entrevista com o delegado seccional. Apenas nove autorizações para porte e uma para compra foram emitidas ao longo do ano passado.

Cadeia

Para o delegado, o estatuto representa um avanço no combate à violência. “Ele endureceu a lei, tornando mais rígida a punição. O porte ilegal passou a ser um crime inafiançável, com raríssimas exceções”, argumenta.

Ele explica as orientações dadas aos delegados da região. “Quando a pessoa é presa em flagrante com arma sem documento ou registro, não há fiança. Se for uma pessoa de bem, que comprove a propriedade da arma, há a possibilidade de ser arbitrada a fiança”, diz.

Nos dois primeiros meses deste ano, 21 pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma em Bauru. “A grande maioria delas ficou presa”, declara Ciocca.

Nos últimos anos, de acordo com o delegado, a punição para o porte ilegal de arma vem se alterando constantemente, variando entre o flagrante e o registro do termo circunstanciado, que pode ser utilizado quando o crime é considerado de menor potencial ofensivo.

Medidas

Além de tornar os critérios para a compra e porte de armas de fogo mais rígidos, o decreto que regulamenta o Estatuto do Desarmamento lista uma série de outras medidas para o setor.

O atestado de aptidão física e psicológica e a autorização para o porte de arma, por exemplo, deverão ser apresentados a cada três anos para renovação.

A arma poderá ser mantida exclusivamente no interior da residência do requerente ou em seu local de trabalho, desde que ele seja o responsável legal pelo estabelecimento.

O decreto determina, ainda, prazo de 180 dias para que as pessoas que já têm armas registrem os equipamentos novamente. Ele também estabelece que, na zona rural, o calibre 16, modelo mais simples e de disparo mais curto, passa a ser o máximo permitido.

Enquanto a Polícia Federal (PF) ou seus agentes conveniados serão responsáveis pela autorização do uso de armas por civis, o Exército se incumbirá das permissões emitidas para colecionadores, atiradores, caçadores e representantes diplomáticos.

O decreto prevê, ainda, multas de R$ 100 mil a R$ 300 mil para as empresas que transportarem armamentos indevidamente.

Por fim, o documento prevê uma indenização para quem entregar o seu armamento à polícia espontaneamente. Os valores a serem pagos, porém, ainda não foram estipulados pelo governo federal.

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