Há exatos seis anos a família Alves Seabra reuniu em Bauru a linhagem descendente do coronel Manoel Alves Seabra, um dos pioneiros da cidade, numa festa de confraternização. No último final de semana, os familiares repetiram o feito de 1998 e comemoraram o crescimento da família. A primeira festa somou 160 pessoas, mas até antes do almoço de ontem 140 parentes estavam registrados no livro de presença, sem contar as dezenas de crianças.
Maurício Alves Seabra, bisneto do patriarca e organizador da reunião explica que para que o encontro dê certo há uma equipe que se envolve com cada detalhe. “Uma prima cuida da comida, outra adora arrumação, outro cuida das acomodações, uma turma elabora as atividades,†conta.
Maurício, por exemplo, é o responsável por escolher o local, fechar a data e mobilizar a família para participar.
Segundo ele, em 40 dias estava tudo organizado e confessa que foi bem mais fácil coordenar a segunda edição. Além de já saber onde encontrar as pessoas, a Internet e os celulares foram grandes aliados para agilizar o processo, que reuniu da tia Luzia Crepaldi Seabra, de 86 anos até o membro mais novo da família, Leonardo Seabra de Lima, de apenas 20 dias.
A festa começou no sábado às 8h e contou com jogo entre solteiros x casados para homens e mulheres, feijoada no almoço, concurso de miss e baile. As pessoas de fora, vindas de Marília, Registro e São Paulo, dormiram no local, uma chácara alugada especialmente para o evento. Mas os parentes de Bauru chegaram para o café-da-manhã e para a gincana, que resgatava brincadeiras como corrida de saco e cabo de guerra e concedia medalhas de ouro, prata e bronze aos vencedores.
De acordo com o cronograma, a programação oficial terminava às 14h de ontem com churrasco e a oração da família. Mas, de fato, só terminaria ontem quando o último Alves Seabra fosse embora da chácara alugada na Quinta da Bela Olinda.
Dentre os participantes, muito felizes estavam os irmãos Manoel Neto, Diva e José, filhos de José Alves Seabra, o Juca, filho mais velho do coronel Manoel.
â€œÉ a maior alegria poder participar de uma festa como esta, é uma emoção muito grande poder rever e conversar com todo mundo num final de semana sóâ€, revela Manoel Neto, com os olhos rasos d’água.
“Mesmo aqueles que não são nossos parentes de sangue, os agregados, já moram no nosso coraçãoâ€, completa a irmã Diva, também comovida.
Um desejo em comum dos irmãos sexagenários é realizar outras festas como a do final desemana.
Integração
Para Maurício Seabra, a integração entre os familiares é o ponto mais importante do encontro. “A idéia surgiu de fazermos algo diferente em prol desta histórica família, que tem até bairro com seu nome em Bauru. É um evento social, esportivo e cultural onde de forma muito divertida, a gente tem a oportunidade de rever os parentes, conhecer os novos membros e recordar daqueles que já se foram.â€
Dessa maneira, no salão principal foram retratados os principais membros que deram origem à família. Cada encontro é motivo para atualizar a árvore genealógica, que já está na quinta geração com mais de 200 pessoas ligadas diretamente ao coronel Seabra.
Segundo informações do historiador Gabriel Ruiz Pellegrina à família, o coronel Manoel Alves Seabra foi o primeiro bauruense a ter casa bancária na cidade, também teve vários estabelecimentos comerciais e até uma fábrica de macarrão.
“O primeiro telefone de Bauru também foi deleâ€, conta Maurício, que teve acesso, nos arquivos da Universidade do Sagrado Coração, a uma cópia da primeira lista telefônica da cidade, onde constava o nome do bisavô, na primeira linha.
Com a modernidade, Maurício gaba-se de poder arquivar todos os momentos da festa. Em 1998 registrou o encontro com uma máquina fotográfica convencional e montou um painel com 120 imagens, que puderam ser revistas por todos na segunda confraternização.
Agora, com câmera digital e laptop, o arquivo, até o momento da entrevista, já ultrapassava 600 imagens que serão disponibilizadas em site e e-mail para todos os Alves Seabra, que já planejam um novo encontro.