Os servidores da Polícia Federal (PF) em Bauru decidiram suspender a greve a partir de hoje após quase dois meses parados. A decisão foi tomada em assembléia na noite de ontem e acompanha a indicação da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), após um pedido de “trégua” do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP). O parlamentar se dispôs a intermediar as negociações.
Após a decisão da federação, coube aos sindicatos definir uma posição em relação à suspensão da greve. Em Bauru, os servidores decidiram que o período de trégua vai até a próxima terça-feira, de acordo com o agente Benedito Pereira de Arruda, delegado regional do Sindicato de Servidores Públicos Civis e Federais do Departamento de Polícia Federal do Estado de São Paulo. Na Capital, os trabalhos voltam ao normal amanhã.
Segundo Arruda, a categoria promete retomar a greve se as negociações com o governo federal não caminharem durante o período. Agentes, escrivães e papiloscopistas (especialistas em impressões digitais) reivindicam o cumprimento da lei 9.266/96, que unificaria cargos de nível superior em uma única tabela de vencimentos, mas que nunca foi cumprida. Deste modo, um agente e um delegado ganhariam o mesmo salário-base. Os reajustes poderiam variar de 15% a 85%.
“O que nós queremos é o cumprimento da lei. Quanto à forma em que vai ser cumprida, se o reajuste vai ser parcelado, estamos abertos à negociação”, declara Arruda. O agente diz que uma nova assembléia, marcada para a terça-feira, vai avaliar o rumo das conversas com o governo federal. “Se for mais uma tentativa de nos enganar, voltaremos a entrar em greve”.
Com a retomada provisória, voltam ao normal os serviços da PF, como emissão de passaportes e andamento de inquéritos. Durante a greve, foi mantido apenas 30% do efetivo de plantão, o mínimo exigido por lei. Expedições de passaporte, por exemplo, só estavam sendo efetuadas em caso de urgência comprovada.
Endurecimento
No final de abril, o comando de greve havia prometido “endurecer” o movimento diante da alegada pouca disposição do governo para sentar à mesa de negociações. Os servidores deixaram inclusive de realizar os trabalhos em caso de urgência.
A investida dos grevistas perdeu força após o Ministério da Justiça decidir cortar ponto dos funcionários paralisados em quatro Estados e no Distrito Federal, atingindo cerca de 22% do total de servidores em greve.
De acordo com o agente Arruda, a Fenapef aguarda julgamento de um pedido de embargos de declaração (recurso para esclarecer algum ponto obscuro na sentença) em relação à decisão do desembargador Johonsom Di Salvo, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região, que julgou a greve ilegal.
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Outras greves
Outras categorias de servidores federais continuam em greve em Bauru. A mais longa é a dos procuradores da Advocacia Pública Federal e da Defensoria Pública da União (DPU), que começou em 9 de março, mesmo dia dos servidores da Polícia Federal (PF).
Servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão paralisados para pressionar o governo a reajustar os salários em 47,11%. Já os auditores fiscais do órgão, também parados, reivindicam 43% de reposição. Auditores fiscais da Receita Federal também estão em greve.