Quando o PT foi criado, em 1980, ainda na época da ditadura militar, tornei-me um simpatizante do partido. De imediato acreditei em seus militantes: Lula, José Dirceu, José Genoíno, Aloísio Mercadante e tantos outros. Suas propostas para acabar com as injustiças sociais e de resolver os problemas do povo brasileiro, tão sofrido, de implantar um sistema de governo democrático, com eleições diretas, com uma nova Constituição, já que a que tínhamos havia sido rasgada e profanada, mereceu, de minha parte, uma olhar mais atento. Desde essa época passei a votar no PT e em seus candidatos. E então, nesses anos todos, vesti a camisa do Partido dos Trabalhadores, participando de campanhas, votando, tentando até convencer pessoas conhecidas a votarem nos candidatos do PT para que pudéssemos transformar o Brasil num país justo para todos. Foram quatro eleições presidenciais. As três primeiras foram frustrantes, o Lula não conseguiu se eleger. Mas continuamos a nossa luta até a vitória em 2002. “Hoje há uma crise econômica e os fatores externos implicam muito nisso, porque o Brasil não é um país independente nem economicamente nem politicamente, porque os homens que o governam estão subordinados a diretrizes externas, seja do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional ou das ‘sete irmãs’ que nos controlam porque estão com o petróleo aqui e no mundo inteiro. Mas para toda crise existe solução se se estiver disposto a arcar com o ônus dela”. Acredite quem quiser, mas essas palavras foram ditas pelo presidente Lula em 1984 (Coleção Retrato do Brasil - Depoimentos, página 3, Editora Política).
Em 2004, vinte anos depois, como estão o Brasil e os homens que o governam? Nós continuamos com a mesma crise econômica e com os mesmos fatores externos interferindo em nossas vidas, ameaçando a nossa independência, a nossa soberania. Todas as propostas de várias campanhas, nas quais acreditamos, foram por "água abaixo”. Ao princípio do governo Lula fiquei muito surpreso com algumas atitudes tomadas por ele e por seus companheiros Mercadante, José Dirceu, Genoíno e outros, mas ainda tinha forças para argumentar com aqueles que nunca acreditaram num governo petista. Hoje não tenho mais argumentos, só me resta esperar pelas próximas eleições. Por isso agora acredito que o Partido dos Trabalhadores nunca deveria ter chegado ao poder. Deveria continuar sempre na oposição, porque estando no poder continua em campanha. O Brasil vai crescer, a fome vai acabar, os trabalhadores terão salários e qualidade de vida dignos, o desemprego vai diminuir, a educação, a saúde e todos os serviços públicos terão qualidade melhor. Tudo para o futuro e nada a curto prazo, ou seja, promessas, como se continuasse em campanha, para ganhar eleições.
Miguel Garcia - RG: 6.102.027