“Confesso que não sou bom pescador, apenas gosto de pescar. Nunca pesquei no pantanal. Não escrevo bem como o meu amigo Jovercy e não sou tão criativo como o companheiro Fernando Lucilha, mas vou tentar reproduzir uma história de um fato que aconteceu com um bom amigo. Esse bom amigo chama-se Waldemar Sartori, pescador dos bons, grande contador de causos (todos verídicos, é lógico).
Conta ele que lá pelos anos 70, quando trabalhava na Usina Hidrelétrica Jupiá, morava ali, na Vila dos Operadores, bem pertinho do Paranazão, e, de vez em quando, descia pra beira do brejo em busca de ‘mistura’ e sempre trazia’, é claro! Certo dia, bem de manhãzinha, passou a mão nas ‘traias’, jogou dentro do inseparável fusca vermelho e desceu para a barranca do rio. Ajeitou um bom local pra pescar e logo iniciou o ‘trabalho’.
Naquele dia, a sorte não estava a fim de favorecê-lo e o Sartori tentou, tentou e nada conseguiu. Lá pelas cinco da tarde, eis que a linhada esticou, o Sartori fisgou e a coisa pesou. Puxa daqui e puxa de lá, até que o baita começou a ceder, começou a subir e o Sartori já bem cansado, porém muito animado, puxava a linha com muita expectativa.
Eis que surge então a coisa que ele tinha fisgado: era um toco (um pedaço de tronco) mais ou menos de um metro de comprimento por uns 80 centímetros de diâmetro. Que decepção, o dia todo pescando pra pegar um pedaço de pau?
Mas como naquele tempo não existia essas máquinas modernas pra lavar roupas, o Sartori resolveu levar o toco pra casa, pra fazer lenha para sua esposa ferver roupa (naquele tempo fazia-se uma ‘trempe’ de tijolos, colocava-se uma lata de 20 litros com água, metia fogo embaixo e fervia a roupa para limpá-la). Levou então o bendito toco pra casa e já à noite, quando chegou, o jogou no quintal. Conta ele que, no outro dia lá pelas 8h31 resolveu rachar aquele toco que já se encontrava enxuto. Meteu o machado no baita e eis que na primeira machadada ele se partiu em dois. Qual não foi a surpresa do Sartori ao ver que de dentro do toco saiu grande quantidade de água e juntamente com a água saíram oito bagres da barriga branca, ainda vivos (não eram bagrões não, pesava cada um mais ou menos de 800 gramas a um quilo). Foi uma pescaria diferente e como eu acredito muiiiito no Sartori, creio que não foi mentira, não.”
Ivo de Jesus Ribeiro é aposentado, quase um contador de história e amigo de um grande pescador.