Ainda não apareceu... E, certamente, jamais deverá surgir, na ininterrúpta história da humanidade, atribuição mais edificante e importante que a maternidade, porque ser mãe é construir uma obra profundamente divina, aquela que, conforme se classifica, é o monumento indestrutível que se pode edificar no coração de cada filho. Não deixam de confirmá-lo entusiasticamente nenhum dos rebentos que se lembrem, qualquer dia, de tudo quanto receberam graciosamente daquelas que lhes possibilitaram o privilégio da vida, inicialmente através da concepção e do parto, depois do alimento líquido proveniente do seu generoso seio e, em seguida, muitos anos afora, tornando-se um universo de profunda ternura, amorosa criação, esmerada educação e, acidentalmente, lágrimas copiosas quando começam a receber golpes de desprezo e demais infortúnios. Lágrimas, ainda mais doloridas, quando os descendentes despencam para o crime, o consumo de entorpecentes e, também, quando falecem, criando um vazio e deixando a genitora aprisionada nas grades da saudade eterna, que nunca se dissipará.
No livro dos Provérbios figura a advertência aos filhos: “Nunca desprezes o amor e o ensinamento de tua mãe. Isto será um diadema de graça para tua cabeça e um colar riquíssimo para teu pescoço”. Conseqüentemente, prossegue o livro, “paciência, tolerância, dedicação e afeto jamais podem faltar a um filho bem educado, contrário às tentações mundanas, que figuram no cenário agredindo terrivelmente a maternidade, tornando-a cada vez mais difícil e, por isso, refugando-a por todas as formas.
Está-se celebrando o Dia das Mães, mas ao invés de celebrar simplesmente incumbir-se-ia comemorá-lo “in totum”, proporcionando às corajosas geradoras de vida a convicção de que são consideradas, realmente, em toda a plenitude, como o livro destaca, “esperança, salvação, âncora, bússola, raiz, estrela e luar” e, ao mesmo tempo, aquela que passa a existência inteira dizendo ardentemente aos bons e aos maus: “Deus te abençoe, meu filho”!
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O amor não faz mal ao próximo e, por isso, o cumprimento da lei é amor.” (Romanos 13,10)