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Secretaria Municipal de Saúde fornece medicamentos para rapaz paraplégico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Após percorrer unidades municipais e estaduais de saúde, de procurar a imprensa, de bater às portas da Justiça e de fazer greve de fome por 21 horas, a dona de casa Luzia Aparecida Francisca finalmente conseguiu receber ontem da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) os medicamentos que seu filho paraplégico de 22 anos precisa.

A iniciativa da administração municipal veio à reboque de uma decisão judicial, que há um mês determinou o fornecimento de fraldas, remédios e material curativo. Se depender da prefeitura, o processo será revertido no Judiciário.

“Vamos recorrer (da ação) porque não é função da prefeitura (o fornecimento desses medicamentos). Nós não temos nem dinheiro. Quem tem que fornecer é a Direção Regional de Saúde (DIR-10)”, reitera o secretário municipal de Saúde, Hanna Saab. A DIR-10 devolve a responsabilidade à SMS.

Enquanto a questão não for esclarecida nos tribunais, a administração continuará distribuindo o material do qual depende Leandro Aparecido de Paula. Conforme prazo estabelecido pela própria SMS, ontem o rapaz recebeu medicamentos para o rim e para as escaras (feridas provocadas pela falta de circulação), além de anestésico, gaze, luva, esparadrapo e fraldas. No prazo de um mês, todos os produtos serão consumidos.

“Eu pedi dez pacotes de fraldas e eles trouxeram 20. Eles me trataram muito bem. Valeu todo o esforço que eu fiz”, conta Luzia, ainda com esperanças de que a prefeitura não recorra da ação. Graças à insistência dela, a DIR-10 também enviou 60 sondas, duas bolsas coletoras de perna e duas bolsas coletoras de cama.

O exemplo de Luzia deve ser seguido por cerca de 80 deficientes atendidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que também convivem com a preocupação de não conseguir remédio junto ao poder público.

Eles temem ter o quadro de saúde ainda mais debilitado, como aconteceu com Leandro. Por ter ficado mais de 20 dias sem medicamento, a situação de um rim e de suas pernas tornou-se ainda mais vulnerável.

Vítima da violência urbana, Leandro foi atingido por disparos de arma de fogo em março de 2000. Uma bala o acertou na medula, outra num rim e uma terceira nos olhos. Ele foi confundido com assaltantes, enquanto conversava com o vizinho da moça para quem ele iria declarar-se naquela noite.

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