Política

Mentira antecipa fracasso eleitoral

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os candidatos a prefeito e à vereança que vão sair às ruas para pedir voto neste ano terão que tomar cuidado extremo para não frustrar o eleitor com mentiras ou promessas de difícil realização administrativa. A opinião é de dois profissionais experimentados na área de coordenação de campanhas eleitorais, Luiz Fernando Furquim e Benê Duarte. Eles participaram, ontem, em Bauru, de um seminário organizado pelo PSDB.

O evento compôs o calendário tucano na preparação do plano de governo e discussão da estratégia de campanha do pré-candidato a prefeito em Bauru, Caio Coube (PSDB).

Um dos palestrantes, Benê Duarte, integrou a equipe de coordenação do plano de governo na disputa a governador do Estado vencida por Mário Covas, que se reelegeu ao cargo em 1998. “O principal alerta é elaborar um plano de governo dentro da capacidade de execução e das possibilidades de assumir compromissos. Perde votos quem assume compromissos absurdos, porque o eleitor facilmente identifica se o que o candidato disse é realizável ou não”, cita.

De outro lado, Duarte considera que o plano de governo não deve exacerbar o realismo. “É uma sintonia fina delicada que deve ser aplicada na elaboração do plano de governo. O realismo não deve servir como elemento de castração de idéias inovadoras e também não pode ser mecanismo de podar sonhos do candidato ou do partido”, pondera.

O ideal, na opinião de Benê Duarte, é dosar o realismo. “A estrutura de campanha deve alimentar o candidato de dados e pesquisas suficientes para se identificar as prioridades da população e o plano deve refletir essa vontade popular com a dosagem do realizável mais a vontade pessoal do grupo político que pretende assumir o poder”, complementa.

O erro fatal é mentir. “Não se pode ficar submisso à falta de dinheiro, que é real. Mas é preciso dizer, por exemplo, ao leitor, que Bauru precisa concluir seu viaduto inacabado, mas que para isso será necessário buscar recurso federal. Mentir ou fazer proposta absurda é um erro fatal para a perda rápida de votos e é muito difícil recuperar a confiança do eleitor”, opina Duarte.

Já Luiz Fernando Furquim, que atuou como tesoureiro das campanhas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-senador José Serra, ambos do PSDB, acha que a melhor hora do candidato se frustrar com o que realmente poderá realizar é no instante do planejamento da campanha.

“Verificar, depois da campanha vencida nas urnas, que não poderá construir o número de casas populares prometido é muito pior. Em matéria de realizações, os compromissos devem trazer dados concretos, palpáveis”, cita.

Sobre a captação de recursos para custear as campanhas, Furquim reconhece que o tema é movediço no meio político. “Temos que afastar essa cultura de que o empresário, o cidadão, o militante vão ajudar financeiramente determinado candidato esperando contrapartida durante o mandato. É preciso que o captador de recursos peça as colaborações deixando claro que ele está participando de um projeto para mudar sua cidade, para melhorar”, conta Furquim.

Por este motivo, ele não acredita que o financiamento público de campanha elimine a relação perigosa entre doação financeira e favorecimentos administrativos no pós-eleição. “A equipe de tesouraria de campanha deve ir a todos os cidadãos pedindo contribuição para arcar com os custos de um projeto eleitoral para sua cidade, que só pode ser viabilizado com estrutura e isso custa dinheiro. E isso não se consegue com financiamento público, mas com alteração de conduta dos partidos. Quem ajuda uma campanha tem que o fazer por acreditar em um candidato e isso é distorcido no nosso sistema”, reforça.

Para o candidato a prefeito pelo PSDB local, Caio Coube, o seminário reforçou entre os militantes e postulantes a uma vaga na Câmara Municipal que o corpo-a-corpo exige sinceridade. “Por isso nós criamos grupos temáticos, em áreas distintas, e estamos realizando esses seminários, para preparar o grupo, para que ninguém seja irresponsável com o discurso fácil de prometer tudo achando que vai conquistar o eleitor. Vamos levar ao eleitor nossos sonhos, mas queremos um diagnóstico real. Para isso, vamos estabelecer prioridades”, comenta Coube.

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