Tribuna do Leitor

Entre a revelação e o oculto


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Nas costas, litoral da sua imensidão, repousa desfalecido o deus egípcio, em meio a específica iconografia: o olho.

Hórus, deus Falcão, filho de Osíris e Ísis. Desafiou o maligno Set. Habitava as terras do Egito Antigo e perambulava de tempos em tempos a reencarnação dos faraós. Esquecido. Abandonado. Reduzido ao pó da própria nulidade. Após milênios de luas e sóis, o confronto muda. A luta entre o bem e o mal se distancia. A disputa contemporânea está entre a revelação e o oculto: o insondável abismo, sagrado e profano.

A mística do olho simboliza a potencialidade divina, capaz de afugentar os maus espíritos, reverter as energias negativas e identificar desejos obscuros. A implacável acuidade do olhar justiceiro, ao qual nada escapa, vida íntima ou pública, revela o “eu” na totalidade idiossincrática. À mercê da Senhora, a enigmática criatura, olhos verdes profundos como diamantes, lábios de doce feitiço, procuro ocultar meus devaneios devassos de Hórus, o deus que virou escravo de sua vontade, preso ao teu Corpo e Caminho. (José Renato F. da Silveira)

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