Acompanhamos, estarrecidos, o precoce falecimento do jovem Marcos Gabriel Cardoso, em razão do covarde espancamento que sofreu de uma ‘matilha’ de pessoas que se diziam palmeirenses... Seu crime? Torcer pelo arqui-rival Corinthians, apenas isso!
Não acredito que os assassinos em questão sejam torcedores de uma das agremiações mais vencedoras e respeitadas do futebol brasileiro, pois tenho convicção que os verdadeiros palmeirenses não estão felizes com o que aconteceu...
O problema que massacres como esse que ceifou injustamente a vida do jovem mosqueteiro vêm se repetindo com certa freqüência nos estádios brasileiros, onde a saudável rivalidade futebolística deu espaço para o ódio e a intolerância entre ‘pessoas’ que divergem quanto ao time do coração...
Marcos foi vitimado antes do início do clássico mais badalado do futebol paulista, por nada...Apenas estava no lugar certo, na hora certa, e teve a infelicidade de encontrar monstros pela frente, apagando sua luz com apenas dezesseis anos...É incrível! O ódio e a intolerância entre os torcedores de futebol em nada guarda respeito, repito, ao embate futebolístico... Pelo contrário, lamentavelmente é gratuito, desmotivado, desconhecido: é a simples manifestação da violência pela violência...
Esse sentimento é semelhante àquele que vemos retratado todos os dias nos jornais envolvendo os povos do Oriente Médio, principalmente entre palestinos e israelenses, que, sem se conhecerem, já se odeiam... Entretanto, no caso do ‘torcedor’ brasileiro existe um agravante.... Isso porque no Oriente Médio, embora não justifique, a intolerância e a violência têm origem históricas envolvendo a luta pela pátria, pela nacionalidade, pelo direito de ser reconhecido como Estado e cidadão....
No futebol (só os loucos não enxergam isso), a intolerância, a raiva e o ódio depositados nas atitudes de alguns poucos ‘torcedores’, nada mais é do que uma briga injustificada entre pessoas iguais, que se acham diferentes, onipotentes e preponderantes em razão de envergar uma camiseta de cor e distintivo diferentes das outras... Ledo engano, infelizes!
Assim, o futebol, que deveria proporcionar alegria, união e confraternização num País sofrido e afligido por tantas outras questões de fato importantes, acaba se investindo em mais um odioso instrumento a fomentar a barbárie social brasileira, aliando-se às dores e aos danos causados pelo tráfico, pelas chacinas, pela miséria, pela falta de emprego, pela violência etc.
Chego à conclusão de que melhor seria que o futebol se tornasse, a teor da F1, espetáculo de um time só, completamente neutro, pois se por um lado o esporte perderia em dinamismo e atratividade, de outro nos livraria de presenciar cenas deprimentes e chocantes como aquela que fez parar de bater o jovem coração alvinegro... Torcedor seguro, só atrás da TV! Que absurdo!
A nós, sãopaulinos, corintianos, palmeirenses, santistas, cruzeirenses, atleticanos, flamenguistas, tricolores, vascaínos, botafoguenses, gremistas, colorados, coxas, noroestinos (desculpem os torcedores dos times não mencionados por exclusiva falta de espaço; que isso não se transforme também em motivo para intolerância), resta o dever de nos unirmos contra essa violência: o momento é de solidariedade e companheirismo. É o momento de lutarmos por um ideal que deve ser comum a todas as nações do futebol: a paz... chega de mortes! Esteja com Deus, Marcos... (Claudio José Amaral Bahia - RG.SSP/SP 19.654.419-9)