Saúde

Diagnóstico é cada vez mais precoce

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Outro tópico muito discutido durante o 19.º Encontro Internacional de Audiologia (EIA) foram as novidades em termos de diagnóstico das deficiências auditivas. De acordo com a fonoaudióloga Kátia de Freitas Alvarenga, o método de avaliação chamado de potencial estado-estável esteve entre os mais comentados.

“Trata-se de um método que permite avaliar com precisão a audição do bebê logo nos primeiros meses de vida”, comemora. Ela explica que, até agora, os especialistas só dispunham de métodos comportamentais para fazer essa avaliação. São técnicas que dependem de respostas (reflexos) do bebê e que só podem ser aplicadas a partir dos 6 meses de idade.

“O potencial estado-estável independe das reações do bebê e pode ser feito já no recém-nascido”, explica. Segundo a fonoaudióloga Regina Célia Bortoleto Amantini, até então, o único exame que podia ser realizado em recém-nascidos era o de emissões otoacústicas evocadas (teste da orelhinha).

“O teste da orelhinha mostra se a criança ouve ou não e ele avalia a cóclea especificamente. Ele é importantíssimo, porque a maioria dos fatores de risco para surdez na gravidez - rubéola, sífilis, toxoplasmose, meningite, excesso de antibióticos - lesam especificamente a cóclea. Mas ele não informa de quanto é a deficiência. O potencial estado-estável revela o grau da deficiência”, esclarece.

“O teste da orelhinha é usado para fazer uma triagem (bebês que escutam bem e bebês que não escutam). O estado-estável é uma ferramenta de diagnóstico. Ele mostra em quais freqüências o bebê tem alterações, qual o grau da alteração e isso em ouvidos separados”, completa a fonoaudióloga Adriane Lima Mortari Moret.

Elas informam que o exame é totalmente indolor, realizado enquanto o bebê dorme e com duração máxima de 40 minutos. O método ainda é novo no Brasil e poucos profissionais o realizam, segundo as fonoaudiólogas.

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Saldo positivo

O 19.º Encontro Internacional de Audiologia (EIA) é promovido anualmente pela Academia Brasileira de Audiologia em diferentes regiões do País. Este ano, a organização ficou por conta da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), com apoio do Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais (Centrinho) e da Universidade do Sagrado Coração (USC).

As coordenadoras do evento em Bauru, as fonoaudiólogas Adriane Moret, Regina Amantini e Kátia Alvarenga, afirmam que o saldo do evento foi bastante positivo. Cerca de 800 pessoas participaram do encontro, que teve cursos nacionais e internacionais, mesas redondas, fóruns, conferências e teleconferências.

Para a presidente de honra do evento, Maria Cecília Bevilacqua, também é importante destacar as 66 atualizações e os 120 temas-livres. “São trabalhos clínicos e científicos criteriosamente selecionados e que mostram pesquisas e avanços obtidos recentemente em audiologia. Isso significa que foram quase 200 avanços científicos vindos das mais diferentes regiões do País e do Exterior”, completa.

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