Geral

Frio altera comportamento alimentar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O clima ameno e intimista do outono é uma ameaça para quem briga contra a balança. Embora as roupas sóbrias disfarcem, nem sempre é possível esconder os quilos a mais conquistados durante a estação, quando o paladar prioriza alimentos ricos em calorias. Nesta época, a venda de frutas e verduras cai em média 15%, enquanto sobe cerca de 30% a procura por chocolate e massas.

“Neste final de semana, disparou em 60% a venda de produtos para feijoada, como paio, charque, calabresa. Também saiu bastante amendoim, pipoca e produtos pré-pronto para polenta e purê. Quibes e hambúrgueres foram substituídos por massas frescas e pratos congelados”, informa o coordenador de produtos perecíveis de um supermercado da cidade, Valdecir Alves da Silva.

Lasanha foi o prato escolhido pelo casal Áureo e Mirian Moreira para comemorar o Dia das Mães. “Engordo de dois a três quilos no frio”, confessa ela, ao analisar as opções de chocolate dispostas ontem numa das gôndolas mais concorridas.

Menos freqüentado estava o setor de hortifrutis, cujo movimento só não é inferior em função da venda de legumes, que sobe 15% em períodos de baixas temperaturas. “Sai mais cenoura, batatinha, chuchu e beterraba porque dá para fazer pratos quentes”, destaca o gerente de operações da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Edson Guarido Ribeiro.

Desejo

A sopa é o destaque do cardápio, principalmente para quem tenta manter uma dieta menos calórica. “É que o médico não deixa, senão seria pizza (a coqueluche das refeições). No frio, a gente dorme melhor e come melhor, depois tem que compensar na academia. Eu sinto mais fome”, garante Cláudio Zanata.

O desejo de comer mais durante as estações frias não passa de uma questão de hábito, ressalta a nutricionista Sheiza Bianchi Souza. “A transpiração típica nas estações quentes tira a vontade de comer (pratos mais pesados). Além disso, a grande ingestão de líquidos (nesta época) inibe a fome”, explica a nutricionista Eliane Petean Arena.

De acordo com ela, o consumo de alimentos calóricos provoca facilmente um acréscimo de cinco quilos no peso de um adulto. “Não é nem pela quantidade (de alimento), mas pela qualidade. O consumo de gordura aumenta muito. A dieta tem de continuar a mesma (das estações quentes). A ingestão de água também. Quem não quiser comer a fruta, pode batê-la (no liqüidificador) com leite”, sugere Souza.

Arena também recomenda produtos light neste período, como geléia, achocolatado e leite.

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Previsões

Hoje a temperatura estará ligeiramente mais alta que a de ontem, quando o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou mínima de 12.2 graus. No entanto, no início da noite de amanhã, uma nova frente fria deve se aproximar e permanecer até sexta, quando outra massa de ar frio deve declinar a temperatura.

No próximo final de semana, o frio deve ser tão intenso quanto no anterior. Na manhã de domingo, o IPMet registrou a temperatura mais baixa do ano: 10.4 graus. Porém, em maio do ano passado, o IPMet constatou mínima de 8.6 graus. Há 6 anos, o frio chegou à marca dos 5.6 graus, informa a meteorologista Zildene Pedrosa Emídio.

“A tendência é baseada nos modelos (de previsão) que são atualizados todos os dias. Pode ser que haja alteração”, explica. Amanhã, o céu estará com nebulosidade variável, mas na quinta e na sexta a tendência é de chuva.

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