A ampliação da União Européia (UE) é a maior da história desta organização. Entretanto, é importante ter em conta que não inclui a Europa em sua totalidade, pois uma série de países ainda continuará fora do bloco. Será necessário ajustar as instituições e direcionar o funcionamento em uma reunião de 25 membros, mas o bloco não deve sofrer um estancamento. Depois da entrada da Romênia e da Bulgária em 2007 surgirá a necessidade de começar a se preparar para a próxima rodada de ampliações. A UE deve, ainda, garantir aos países do Sudeste da Europa uma válida e concreta visão para seu ingresso no bloco. A União Européia também necessita ordenar suas relações com uma série de nações que previsivelmente não se converterão em membros da união em um futuro próximo, como Rússia, Ucrânia e Moldávia.
Para que possam ser desenvolvidos, por completo, laços econômicos mais estreitos é necessário em particular trabalhar mais nas infra-estruturas. As instituições européias têm vários e diferentes programas que podem ser úteis para construir melhores redes de transporte e comunicações na região. Algumas das instituições já existentes, tais como a cooperação entre as universidades ou as autoridades portuárias, têm que ser reforçadas. A história da integração européia demonstra claramente que, quanto maior é nossa interdependência, mais provável é que possamos encontrar soluções para os problemas que nos preocupam.
A qualidade de membros da União Européia da Finlândia e da Suécia, bem como o processo de ampliação em curso, colocou a questão da estabilidade e da segurança na região do Mar Báltico e no Norte da Europa na agenda do grupo. Este bloco, portanto, desenvolve políticas para enfrentar tanto sua relação com a Rússia quanto com a região do Norte em seu conjunto. O aumento da cooperação com a Rússia abre mais oportunidades inclusive para resolver os desanimadores problemas ambientais que foram deixados pela ex-União Soviética em muitas terras do Norte europeu e em áreas marinhas.
As conseqüências da negligência ambiental requerem uma ação urgente. Em nível local, a contaminação do ar em algumas áreas prejudicou seriamente a própria qualidade da vida humana. O imprudente tratamento de lixo nuclear representa uma ameaça para as pessoas que agora vivem na área e para as próximas gerações. É trágico o estado do Mar Báltico devido às políticas colocadas em prática em todos os Estados ribeirinhos. Estes são problemas que só podem ser resolvidos com um trabalho conjunto.
Diz-se que a União Européia é como uma bicicleta: deve-se andar para frente para poder conduzi-la. Tem suas mãos cheias de programas e assuntos administrativos correntes, internos e externos. Ao mesmo tempo, enfrenta importantes desafios, cujos resultados terão conseqüências de longo alcance para nosso futuro. O objetivo final da ampliação da UE para o leste é a consolidação da paz e da segurança em nosso continente.
O autor, Martti Ahtisaari, foi presidente da Finlândia entre 1994 e 2000.