Regional

Greve atinge hospitais de Botucatu e Lins

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

A greve dos servidores da rede estadual da Saúde, deflagrada na última segunda-feira, atinge parcialmente os hospitais psiquiátricos de Botucatu e Lins. Em todo o Estado, cerca de 20 hospitais da Capital e sete do interior tinham aderido, até ontem, à paralisação por tempo indeterminado, segundo informações do sindicato da categoria, o Sindsaúde.

Além dos hospitais, outras unidades como os Núcleos de Gestão Assistencial (NGA), estariam com o atendimento prejudicado.

Em Jaú, no início da semana, cerca de 90% dos servidores estaduais do Ambulatório de Saúde Mental, NGA e Laboratório Local também deflagraram uma paralisação parcial de 48 horas. Ontem, porém, o serviço já havia sido normalizado na cidade, segundo informações da diretora regional do Sindsaúde, Mariuse Inês Pereira Miranda.

Segundo a representante, os servidores da cidade não descartam a possibilidade de uma nova paralisação a qualquer momento.

Em todo o Estado, a categoria reivindica 30% de aumento salarial, jornada de trabalho de 30 horas semanais para trabalhadores administrativos, além da contratação de funcionários por concurso público.

Segundo o sindicato, as unidades paralisadas estão atendendo apenas os casos graves e os doentes internados. Pacientes que não estão em situação de emergência são orientados a retornarem as unidades após o final da greve, para remarcar nova data para atendimento.

Anteontem pela manhã, foi realizada em São Paulo uma reunião na Assembléia Legislativa, com o objetivo de discutir os rumos do movimento. A categoria decidiu manter a greve por tempo indeterminado. “O governo do Estado não apresentou proposta alguma de negociação”, afirma Alessandro Neri, diretor-executivo do Sindsaúde da região de Lins. No próximo dia 21, a categoria deve realizar uma nova assembléia geral em São Paulo.

Região

Em Lins, a paralisação atinge parcialmente o Hospital Psiquiátrico Clemente Ferreira. Segundo Neri, cerca de 60 servidores do hospital, ou seja 15% do quadro de funcionários, tinham aderido ao movimento até ontem. A unidade atende 300 pacientes em regime de internação.

“Há uma dificuldade maior de fazer greve nesses casos. Os pacientes não podem receber alta e têm que ter um atendimento constante”, diz o diretor-executivo do Sindsaúde. Ele assegura que os funcionários farão revezamento e que os pacientes do hospital não serão prejudicados.

Ontem, a categoria realizou em Lins uma assembléia que decidiu pela paralisação parcial do NGA do município – unidade que atende diariamente cerca de 300 pessoas. O comando de greve local espera a paralisação, a partir de hoje, de cerca de 70% dos funcionários. “O serviço ficará bem prejudicado, porque o ambulatório atende a região inteira”, diz Neri. Ele afirma que o atendimento dos casos de urgência serão mantidos.

Em Botucatu, a paralisação atinge o Hospital Psiquiátrico Cantídio de Moura Campos. Cerca de 60% dos 300 funcionários aderiram ao movimento, de acordo com Mariuse. Segundo ela, o atendimento aos cerca de 180 pacientes do hospital está sendo garantido.

Em Bauru, foi realizada ontem uma assembléia com os servidores estaduais do Hospital Lauro de Souza Lima. Amanhã está prevista uma nova reunião, onde será decidida a possibilidade da categoria deflagrar uma paralisação de 24 horas na próxima segunda-feira.

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Governo

Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a paralisação parcial atingia ontem 12 dos 60 hospitais do estado (nove na capital e três no interior).

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, o governo está no limite prudencial de gastos com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que inviabilizaria hoje qualquer reajuste salarial.

Em relação à contratação de novos servidores, a assessoria justifica que o governo realizou em setembro do ano passado concurso para 32 áreas da Saúde. Quanto a redução da jornada de trabalho, a secretaria informa que a medida seria “inviável e prejudicaria o atendimento à população”.

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