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Pediatras atendem 30% a mais no frio

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Os “conselhos de mãe” ainda servem como arma para driblar as doenças de outono, período em que o atendimento pediátrico aumenta em média 30%. Gripes, resfriados, problemas respiratórios e infecção poderiam ser evitados com medidas quase banais como carregar casaco ao sair, não freqüentar ambientes frios após o banho quente nem andar descalço e até recusar alimentos gelados.

Como as recomendações do “tempo da vovó” parecem retrógradas, o desprezo a elas contribuem para transformar os ambulatórios infantis em metros quadrados concorridos. No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), o número de crianças atendidas subiu de cerca de 280 para 360, desde final de março, quando entrou o outono.

“Nos outros prontos-socorros (Bela Vista, Mary Dota e Ipiranga), o movimento também aumentou em média 30%”, confirma diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), João Sérgio Carneiro. O PS do Bela Vista recebe em dias normais aproximadamente 180 pacientes, sendo que os outros dois atendem em média 60 crianças.

De acordo com Carneiro, em função do movimento, algumas crianças podem aguardar até três horas para receber atendimento, enquanto em dias mais tranqüilos o tempo de espera é de aproximadamente 40 minutos.

Mas se engana quem pensa que precisa de paciência apenas os pais que dependem da saúde pública. Nas clínicas particulares não é diferente, constatou ontem JC ao consultar três delas. De acordo com o pediatra Francisco Garcia Neto, o tempo de espera chega a duas horas.

“Atendemos em média 20 crianças no plantão noturno. Mas ontem (anteontem) vieram 27 das 19h às 24h. De todas, só duas não apresentavam problemas respiratórios”, informa. Do total, dez estavam com quadro de gripe, três com bronquite (processo infeccioso e inflamatório do pulmão) e quatro com infecção no ouvido.

“No outono, os dias são quentes e as noites frias. Temos várias estações do ano num só dia. Uma época se menosprezou (as recomendações de vó), hoje voltaram a ser valorizadas”, diz o médico.

Dicas

Se apega às recoemndações Suelene Manfrin, que ontem aguardava o médico de seu filho Caio Lopes Manfrin, de 8 anos. Mesmo assim, os cuidados tradicionais não foram suficientes. “Já estou acostumada, chega essa época ele fica com rinite e sinusite (inflação das vias respiratórias)”, comenta.

Também atribui ao clima o resfriado de Lucca Nardo, sua mãe Michela Paladine Galvão. Ela e o marido José Ricardo aguardavam ontem à tarde o atendimento do bebê de 8 meses.

Para evitar problemas de saúde, o médico Garcia Neto também recomenda às crianças boa alimentação, hábitos de higiene e horas de sono regulares. “A criança que já tem uma vida desregrada é menos resistente. Os pais não se preocupam com a saúde deles e se esquecem que se ficam doentes transmitem para os filhos”, alerta.

Assim como Carneiro, ele também recomenda que as crianças evitem aglomerações.

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Acidentes

Por causa do tempo chuvoso, tem gente que preferia não ter levantado da cama na manhã ontem. Não só porque o clima é convidativo para ficar sob as cobertas, mas por ter se envolvido num dos 12 acidentes registrados pela cidade. Dois deles foram engavetamentos que atingiram três veículos cada um. Em dias de sol, no máximo oito colisões são acompanhadas pela 4.ª Companhia da Polícia Militar, até as 14h30.

“A gente verifica que quando chove o motorista fica mais vulnerável por causa da visibilidade e da pista escorregadia. Além disso, existe um aumento de cerca de 30% na quantidade de carros na rua”, explica a sargento Isoldi Fernandes. Segundo ela, as avenidas Duque de Caxias, Nações Unidas e Rodrigues Alves são as mais perigosas.

Para evitar dor de cabeça nos dias cinzentos, ela recomenda aos motoristas que reduzam a velocidade ao transitar pelas ruas e que verifiquem o estado do limpador de pára-brisa e dos pneus antes de sair de casa.

“Também é importante aumentar a distância do veículo da frente e ligar o farol baixo”, recomenda Fernandes. Dizem adotar os procedimentos sugeridos os motoristas Juliano Piovesan e Ivo Rogero Bosshard.

O primeiro nunca sofreu acidente em dias de chuva porque alega dirigir por ele e pelos outros motoristas. Já o segundo, foi abalroado por um outro automóvel. “Acho o trânsito de Bauru complicado (porque permite algumas conversões pela esquerda). Além disso, tem gente que não é cautelosa”, conclui.

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