Cultura

Rock e amor

Por Da Redação (com Adriana Del Ré | Agência Estado)
| Tempo de leitura: 4 min

Roberto Frejat é um romântico incorrigível. Em seu segundo disco solo, “Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo”, o cantor e compositor volta a fazer uma incursão pelo universo amoroso, cantando seus sabores e dissabores. Para ele, o amor é uma fonte inesgotável de inspiração. “É um barato falar de amor, sobre as relações”, diz Frejat, que se apresenta hoje, às 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru.

O repertório do show - que será realizado no ginásio do clube - será baseado no romantismo (que sempre esteve presente na trajetória do cantor) e embalado pelo bom e velho rock. É nessa mesma fonte que Frejat bebe desde o primeiro disco solo da carreira, “Amor Pra Recomeçar”, lançado em 2001 e que lhe rendeu o disco de ouro, pela venda de 100 mil cópias. Desde aquela época, o músico tirou férias do Barão Vermelho e tem suas atenções, completas e absolutas, direcionadas à carreira solo.

Com o disco de estréia, Frejat ficou um ano e meio excursionando pelo Brasil. Um pouco antes da turnê chegar ao fim, ele já se dedicava à pré-produção do CD “Sobre Nós 2...”, acertando repertório, parcerias e outros detalhes. E só. Enquanto estivesse fazendo shows, estava fora de seus planos entrar em estúdio para a gravação do álbum, lançado no final do ano passado.

Em 20 anos de Barão Vermelho, Frejat tirou a lição de que estúdio e estrada são incompatíveis. “Uma coisa que aprendi foi não estar na estrada no momento de gravar um disco. Assim, você tem mais tempo de descansar, de avaliar o trabalho”, conta. Na opinião do cantor, o resultado de tudo isso foi o aprimoramento e uma concretização maior de idéias, em comparação ao primeiro CD.

“Sobre Nós 2...” carrega mais nas guitarras, no rock pop, na temática amorosa. Conta ainda com a participação de Bi Ribeiro, do Paralamas do Sucesso, no baixo da canção “Trapaça da Dor”. Frejat afirma que queria ter convidado Bi para participar de “Amor Pra Recomeçar”, mas não tinha encontrado a música certa para o amigo naquela ocasião.

“Trapaça da Dor” é uma canção inédita, que Frejat escreveu em parceria com Cazuza há 20 anos e que resgatou do fundo do baú no ano passado. “Estava procurando nas minhas coisas canções antigas e lembrei dessa música”, afirma. Cazuza é autor da letra e Frejat, da música. A dupla, sempre produtiva, foi responsável por sucessos do Barão, como “Pro Dia Nascer Feliz”, “Bete Balanço”, entre tantos outros.

“‘Trapaça de Dor’ tem características daquele momento da nossa vida”, revela Frejat. De fato, é difícil não perceber o estilo de Cazuza impregnado em cada verso. “O que se ouve no disco é muito parecido com que está gravado no cassete”, aponta o cantor.

Ainda no campo das parcerias, Frejat mostra outra composição, “Paz Nunca Mais”, esta feita com Erasmo Carlos. A identidade musical entre ambos se esbarra na vontade de falar sobre o amor e a mulher. “Eu e Erasmo fizemos alguns shows juntos no ano passado, e tivemos uma aproximação maior”, conta. “Eu o respeito muito, tenho um grande carinho por ele. É um mestre”, completa.

Este segundo trabalho e a promessa de uma nova turnê são as provas de que o Barão não deve voltar à ativa tão cedo. Mas segundo Frejat, a banda deve retomar o trabalho ainda este ano. Para ele, esse tempo dado ao grupo foi “positivo”. “Foi saudável para o próprio trabalho do Barão”, observa.

• Serviço

Show de Frejat hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

____________________

A volta do Barão

Frejat iniciou a carreira musical em 1981, como líder do grupo Barão Vermelho. A banda foi formada por ele, em parceria com o baixista Dé, o baterista Guto Goffi e o tecladista Maurício Carvalho de Barros. Cazuza só entrou no grupo um ano depois, depois de ter sido apresentado por Léo Jaime.

Com 20 anos de carreira, o Barão se consolidou como m dos principais representantes do rock nacional. Foram 13 álbuns produzidos pelo grupo (que também assinou a produção e a pós-produção dos CDs), lançando hits como “Bete Balanço”, “Por Que a Gente É Assim”, “Por Você” e “O Poeta Está Vivo”, em homenagem a Cazuza, que faleceu em 1990.

Apesar de experimentar sucesso em sua carreira solo, Frejat afirma que o Barão deverá voltar aos palcos em breve.

Comentários

Comentários