Bairros

Erosões agravam situação dos córregos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Imagine 1,6 milhão de metros cúbicos de terra. Essa é a quantidade aproximada de terra que as atuais erosões de Bauru carregaram para os fundos de vale da cidade, de acordo com dados da Prefeitura de Bauru.

São elas as principais responsáveis pelo assoreamento dos rios e córregos. O balanço divulgado pela prefeitura no mês passado, entretanto, não inclui todas as erosões da cidade. Nele, constam apenas 22. Todas elas na zona urbana.

Ficam de fora erosões como a do Jardim Colonial, grande responsável por assoreamento do córrego Água Comprida. “Há umas seis ou sete erosões de porte razoável que não estão nesse levantamento. Eles não incluíram as mais recentes, da gestão do Nilson (Costa)”, diz o ambientalista Rodrigo Agostinho.

Um dos aspectos preocupantes é que todas as erosões de Bauru estão próximas a córregos. “Toda essa terra foi parar dentro de algum rio”, alerta Agostinho.

Ele afirma que o cenário atual deve-se a falta de ações adequadas de combate. “São números assustadores. Se pensarmos em 1,6 milhão de metros cúbicos, temos uma idéia do ponto a que chegaram as erosões da cidade”, observa.

Entre as 22, há erosões recentes e antigas. As mais novas são a do Bauru 2000 e a do Bauru 1. “Surgiram por causa de loteamentos que foram feitos de maneira equivocada”, destaca o ambientalista.

Outras são mais antigas, como a da Pousada da Esperança 2 (que foi parcialmente aterrada com entulho), as do Jardim da Grama e a do Parque Jaraguá, além do Jardim América.

“Bauru perdeu grande quantidade de solo, que foi parar dentro dos rios, provocando assoreamento. Principalmente na bacia do rio Bauru. Acabando com o leito desses rios, aparecem os problemas de enchentes e inundações em época de chuva”, reforça Agostinho.

Ele lembra que um dos principais obstáculos ao crescimento da cidade, além do abastecimento de água, é o problema de drenagem - diretamente relacionado à condição saudável dos rios e córregos urbanos. Com a grande quantidade de erosões na cidade, o problema torna-se cada vez maior.

Solução

De acordo com Agostinho, as principais formas de combater erosão são: desviar a água que causa o buraco, construindo galerias de águas pluviais; fazer curvas de nível; plantar árvores; gramar os taludes das erosões para controlar o processo, no caso das erosões já instaladas.

“São diversas as ações que podem ser realizadas com vistas a combater as erosões. Elas são um problema sério para o qual a gente precisa de solução. Tem erosões engolindo avenidas e bairros”, agrava.

O ambientalista enfatiza que a época de estiagem, que está começando agora, é um bom período para tentar solucionar ou amenizar o problema, já que as chuvas tendem a diminuir.

Entretanto, até agora, a prefeitura fez pouco, na opinião dele. “Não atingiram de maneira estrutural o problema das erosões. Nos últimos anos, elas aumentaram de tamanho e erosões que não existiam surgiram, como a do Jardim Colonial e da Chácara Odete”, diz.

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