Se hoje o cenário é preocupante, há pouco tempo era ainda pior. É que iniciativas postas em prática por organizações não-governamentais (ONGs) de Bauru, em parceria com a comunidade, estão mostrando resultados na recuperação de rios e córregos.
Uma delas é o Fórum Pró-Batalha, que está atuando no rio Batalha e, mais recentemente, no córrego Água da Ressaca. De acordo com o engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei, coordenador dos projetos da entidade, já foram plantadas aproximadamente 225 mil mudas às margens dos dois mananciais - 180 mil e 45 mil, respectivamente.
Os recursos foram repassados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) através do Comitê da Bacia Tietê-Jacaré. Só na recuperação do córrego Água da Ressaca estão sendo investidos R$ 378 mil.
Nesse afluente, o trabalho começou em março do ano passado. O projeto tem duração de 18 meses e teve início nas proximidades da nascente do córrego, perto da rodovia Bauru-Ipaussu. Ele deve se estender até a avenida Comendador José da Silva Martha.
Já no rio Batalha, a recuperação da mata ciliar pela entidade começou em 1998 e ainda está em andamento. Uma das etapas foi concluída em 2003, mas David ressalta a intenção de continuar o trabalho.
Barreirinho
Outra iniciativa é do Instituto Ambiental Vidágua, que está trabalhando na recuperação das margens do córrego do Barreirinho, com apoio da comunidade dos bairros adjacentes ao manancial.
De acordo com o ambientalista Ivan Ferrazoli de Marche, será tratada uma área de cerca de 20 hectares entre as margens direita e esquerda do córrego, em que serão plantadas árvores nativas. Metade do trabalho já foi executada, com 10 mil mudas plantadas.
O projeto começou em dezembro de 2003 e o plantio teve início em abril deste ano. Estão sendo empregados R$ 55 mil, sendo R$ 40 mil do Fehidro e R$ 15 mil do Instituto Ambiental Vidágua.
Ferrazoli conta que a iniciativa de recuperar o Barreirinho partiu da própria população. “A comunidade exerce um importante papel de fiscal. Quando acontece algum problema, eles nos informam. A intenção partiu deles e eles estão realmente dispostos a cuidar”, destaca.
De acordo com o ambientalista, em menos de cinco anos o local poderá ser de utilidade da população já que poderá ser transformado em bosque. “O poder público poderá instalar bancos, fazer trilhas, instalar equipamentos de ginástica. O objetivo é recuperar a área”, frisa.
Ivan ressalta que a maioria das áreas de fundos de vale pertencem à Prefeitura de Bauru e estão abandonadas. “São áreas degradadas e visualmente impactantes. Mas as iniciativas feitas pela sociedade civil são possíveis. Não necessariamente precisamos do poder público para promover ações”, destaca.
Outro projeto do Vidágua é recuperar as margens do córrego da Forquilha. A previsão é iniciar o trabalho até o mês de setembro deste ano. Os recursos destinados são R$ 65 mil do Fehidro e R$ 20 mil da ONG.
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Vegetação
Uma das funções desempenhadas pela mata ciliar é proteger os rios das impurezas transportadas pelas enxurradas. O engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei explica que se não houvesse a cobertura vegetal, o impacto da chuva seria muito grande. O solo seria carregado e provocaria assoreamento do leito - fato comum em Bauru.
“A mata ciliar é como os cílios dos olhos. Ela protege e mantém o rio equilibrado. Não deixa faltar ar para os peixes e mantém a qualidade da água”, explica.
Sem árvores, a tendência é de que a água dos lençóis freáticos desçam para o aquífero. Desta forma, o rio seca. “A mata mantém o lençol freático suspenso e é responsável pela quantidade e constância de água. As plantas trabalham como bombas”, exemplifica o profissional.