Política

Cartilha orienta combate à corrupção

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Há três anos, a Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo) se transformou em referência nacional no combate à corrupção ao denunciar o desvio de verbas da merenda escolar praticado pelo então prefeito da cidade, Antonio Sérgio Mello Buzzá, afastado do cargo em 2002. A repercussão do caso foi tão grande que a Organização Não-Governamental (ONG) decidiu editar uma cartilha que ensina como fiscalizar as contas públicas.

A publicação, intitulada “O Combate à Corrupção nas Prefeituras do Brasil”, foi lançada no ano passado e já atingiu a marca de 120 mil exemplares distribuídos gratuitamente. Em suas páginas, é possível encontrar um relato da experiência vivenciada em Ribeirão Bonito e também dicas sobre como investigar possíveis irregularidades na administração pública e, em especial, nos processos licitatórios.

O atual presidente da Amarribo, Fernando Guedes Torrezan, afirma que os ensinamentos da cartilha vêm dando resultado em outras cidades do País. “Temos vários prefeitos e vereadores cassados a partir desse trabalho. As pessoas recebem a nossa publicação, montam as associações e dão início às apurações. É um sinal de que ela realmente está sendo seguida”, relata.

O vice-presidente da ONG, Pedro Sérgio Ronco, explica que a cartilha também foi a forma que a Amarribo encontrou para atender a todas as pessoas que têm procurado a entidade. “Nós não estávamos dando conta de tantas consultas feitas por telefone ou e-mail. Nossa estrutura é muito pequena e há muita gente interessada em conhecer o trabalho que foi desenvolvido em Ribeirão Bonito”, justifica.

Para divulgar a publicação, representantes da Amarribo têm percorrido o País ministrando palestras. Na última semana, por exemplo, estiveram em Barra Bonita, Cananéia e Juazeiro do Norte (CE). “Não cobramos nada por esse trabalho, porque a nossa intenção é apenas contar a nossa história”, comenta Torrezan.

Crescimento

A Amarribo foi criada em novembro de 1999 por um grupo de ex-moradores de RibeirãoBonito interessados em desenvolver projetos sociais na cidade. Durante o primeiro trabalho, a recuperação de uma capela localizada em um morro da cidade, a advogada Laurília Ruiz Alquezar, integrante da ONG, recebeu documentos que apontavam fraudes no processo licitatório para a compra da merenda escolar. “Após as denúncias, a associação acabou se transformando nisso que todos estão vendo”, destaca Ronco.

O crescimento da entidade, que teve como um dos fundadores Antoninho Marmo Trevisan, presidente de uma das mais conceituadas empresas de auditoria do País, foi iniciado na própria cidade. O grupo, que começou com 80 integrantes, conta hoje com cerca de 800.

Além disso, a Amarribo inspirou, ainda, a criação de outras 31 entidades de combate à corrupção em todo o Brasil . “No futuro, a idéia é ter uma ONG nacional ou até mesmo internacional sobre esse assunto, algo como o Greenpeace”, projeta Torrezan.

Para o presidente da associação, o maior legado do grupo tem sido mostrar que a sociedade não tolera mais o desvio de dinheiro público. “É o que o povo brasileiro mais cobra. Eu tenho que ter transparência na minha administração à frente da Amarribo e em todos os órgãos precisa ser assim. Se tivermos cidadania aliada à transparência, o Brasil tem tudo para crescer”, opina.

• Serviço

Outras informações sobre a Amarribo podem ser obtidas pelo site www.amarribo.com.br ou pelo e-mail amarribo@cgmnet.com.br. O telefone da ONG é (16) 3344-3807.

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Projetos sociais

Apesar de sua atuação no combate ao desvio de recursos públicos, a Amarribo continua desenvolvendo projetos sociais em Ribeirão Bonito. No ano passado, por exemplo, a ONG assumiu a direção da Santa Casa da cidade, que havia fechado as portas.

Segundo o presidente da Amarribo, Fernando Guedes Torrezan, as dívidas do hospital chegavam a R$ 250 mil, referentes a fornecedores e 49 processos trabalhistas. “Em seis meses, pagamos as contas e começamos a reformar o prédio com ajuda da sociedade. Hoje, a pessoa interessada em colaborar conosco pode adotar um cômodo”, revela.

A ONG também pretende iniciar, em parceria com o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Ribeirão Bonito, uma campanha contra a venda de bebidas alcoólicas para menores de idade. “Vamos divulgar para o dono do estabelecimento que ele pode ser preso e ficar quatro anos na cadeia se não cumprir a lei. Uma gráfica já se prontificou a confeccionar os cartazes que iremos distribuir”, relata Torrezan.

As iniciativas da Amarribo chegaram, ainda, ao presídio feminino da cidade. O projeto “Cadeia Limpa” recuperou o prédio, que apresentava paredes trincadas e pintura danificada. “As esposas dos nossos conselheiros estão incentivando as detentas a se ocupar com atividades que podem gerar recursos para elas, como o tricô”, conta o vice-presidente da ONG, Pedro Sérgio Ronco.

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