O cenário político e partidário de Bauru já lembra um relógio ampulheta com seus últimos grãos de areia deslizando pela fresta afunilada que apontará o fim do tempo. Os partidos têm até 30 de junho para realizar suas convenções municipais - autori zadas a partir do dia 10 - e apontarem seus candidatos a prefeito, vice, vereadores e mais as alianças que formarão as frentes que vão disputar as eleições de outubro. Dos dez partidos que já declararam que vão apresentar candidaturas à prefeitura, apenas quatro agendaram suas convenções.
O quadro reflete as dificuldades para amarrar as parcerias e escolher vices. Aliada a essa questão, ainda perdura a dúvida do número de cadeiras que estará disponível nas câmaras municipais, já que o Congresso Nacional ainda não definiu, de vez, a regra que vai ditar a eleição dos vereadores.
Independente do que vai acontecer nas próximas semanas, o PHS e seus aliados agendaram para o dia 20 de junho a convenção municipal que vai consolidar o nome de Antonio Carlos Barbosa para a disputa da Prefeitura de Bauru.
Ex-secretário municipal de Esportes, Barbosa é aliado do ex-prefeito Antonio Izzo Filho (sem partido). É técnico da Seleção Brasileira de Basquetebol, que disputará as Olimpíadas de Atenas, em julho.
Seu partido, o desconhecido PHS, agrega como aliados o PSL, PTdoB, PTC, PTN e talvez o PRTB. O nome do vice é uma incógnita, quadro que prevalece nos demais pré-candidatos. Se realmente disputar a eleição, Barbosa deverá perder um mês de campanha, já que durante parte do mês de junho e julho estará no comando da Seleção de Basquete na Grécia.
Outro partido que também definiu a data de sua convenção é o PSDB. O prefeitável Caio Coube, empresário que disputou a Câmara dos Deputados em 2002 e amealhou mais de 80 mil votos, apontou, com o aval das demais lideranças tucanas, o dia 19 de junho para a realização da festa que selará seu nome à disputa da prefeitura.
Coube é um dos pré-candidatos que mais enfrenta problemas para a escolha do vice. Já conversou com o PFL, PPS, PL, PMDB e PSB. Não conseguiu avançar nas negociações. Pela lógica, o PFL é o partido que está mais próximo. Em nível estadual, a legenda compõe a base de sustentação do governador Geraldo Alckmin. Chiara Ranieri, filha do vice-prefeito Dudu Ranieri, tem sido lembrada nos diálogos entre as lideranças das duas legendas.
Terceira via
Só mesmo uma guinada de 180 graus – e que lhe seja favorável - poderá reverter a decisão do presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Renato Purini (PMDB), de disputar o Palácio das Cerejeiras. Nos bastidores políticos, criou-se a imagem de que o peemedebista poderá se consolidar como a “terceira via” no processo eleitoral de outubro, despolarizando a disputa entre as candidaturas de Tuga Angerami (PDT) e Caio Coube (PSDB).
Aberto às negociações, o PMDB já conta com o PCdoB como parceiro certo. A vereadora Majô Jandreice (PCdoB) é cotada para assumir a vaga de vice, mas os peemedebistas conversam com o PFL (Dudu Ranieri) e com o PP (ex-deputado estadual Carlos Braga e vereador Paulo Madureira). O PMDB faz sua convenção municipal no dia 26 de junho.
O PSB é outro partido que também já definiu sua festa para selar de vez o nome do vereador Luiz Carlos Valle na disputa majoritária. Lideranças e militância escolheram o dia 12 de junho para anunciarem ao eleitorado a chapa que disputará a prefeitura e a Câmara Municipal.
Os socialistas podem ser considerados os mais avançados nas negociações com outros partidos, no caso o PL. Embora ainda não assumam publicamente, o médico Fernando Monti – ex-secretário municipal de Saúde na gestão do prefeito Tidei de Lima (1993/1996) e atual presidente da executiva do PL – deverá mesmo ocupar a vaga de vice na chapa de Valle.
A aliança conta com a bênção do deputado federal Milton Monti (PL), de São Manuel, irmão de Fernando. O parlamentar já articula a vinda do vice-presidente da República, José Alencar (PL/MG), para a campanha que se inicia a partir de julho.