A população de Duartina ficou apreensiva com a presença das presas na cidade, principalmente depois que duas "quadrilheiras" do tráfico passaram a "residir" no município. O medo de um resgate das presas levou a polícia a reforçar a segurança e, com isso, a população passou a perceber o perigo. Na última sexta-feira, as presas foram transferidas para a cidade de Ribeirão Preto.
Nas imediações da cadeia, localizada no Centro da cidade, os moradores só concordam em falar sobre o assunto se a identidade deles for preservada.
A 100 metros da cadeia estão instaladas a maioria dos estabelecimentos comerciais da cidade. Os comerciantes temem os assaltos, dizem. “Onde tem cadeia, tem bandidos. Estamos apavorados com as pessoas estranhas que chegam em Duartina. Tememos os assaltos.”
Alguns comerciantes acham que a presença de presas perigosas na cidade pode atrair os marginais. “Eles podem vir para sondar a segurança a fim de fazer o resgate.”
Um dos comerciantes diz que fica apreensivo porque a cidade era tranqüila. “Minha filha ficou assustada com a movimentação policial. Com a chegada das presas, a quadra onde está a cadeia passou a ser interditada todas as noites e isso assustou-a.”
Ele explica que o alerta é geral. “A polícia fica fortemente armada e, além da cadeia, eles ficam em pontos estratégicos da cidade.”
O comerciante comenta que até os policiais da cidade temem. “Eles estão trabalhando apavorados. Sabem que em resgate de presos há troca de tiros e temem por suas vidas. É lógico que eles não confessam, mas é isso o que está acontecendo”, garante.
Presos dentro de casa
Os moradores das imediações da cadeia de Duartina estão vivendo um momento crítico. Estão presos dentro de suas casas com medo que a quadrilha a qual pertence as duas presas venha resgatá-las e que durante o resgate haja troca de tiros. “Eu prendi as crianças dentro de casa. Um tiro perdido, como a gente está acostumado a ver na televisão, pode atingir um deles, que estavam acostumados a brincar na rua.”
O cachorro da moradora, que estava sempre preso, passou a ficar solto no quintal para dar um "alarme" no caso de estranhos. “O cachorro ficava amarrado. Agora está solto. Eu espero que ele me avise caso algum estranho se aproxime da casa.”
A mulher confessa que está em estado de alerta. “Quando ouço um barulho, fico atenta para saber o que é.”
Outro morador das imediações está revoltado com a situação. “Há 30 anos, quando meu pai comprou a casa, o corretor alegou que teríamos mais tranqüilidade, porque na delegacia tem policial 24 horas.”
O tempo passou e hoje o imóvel está desvalorizado. “Estamos presos. O que era bom ficou ruim. A rua fica interditada e estamos em alerta. A qualquer momento pode ter uma troca de tiros e estamos no alvo.”
Já as religiosas que fazem visitas todas as terças-feiras no presídio não têm a mesma preocupação. “Elas não oferecem perigo. Estamos fazendo a nossa visita normal na cadeia”, confessam, apesar de não aceitarem serem identificadas.
O advogado Valdir Medeiros Maximiniano, com escritório ao lado da cadeia, diz que não mudou sua rotina. “Já fui policial e não tenho esse temor. Acho que quando havia preso masculino a situação era pior. Eu continuo trabalhando do mesmo jeito.”
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