Regional

Cadeia de D. Córregos pede reformas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Dois Córregos - A "filha" única feminina da Delegacia Seccional de Jaú (a 47 quilômetros a Leste de Bauru) está localizada na cidade de Dois Córregos (a 73 quilômetros a Susdeste de Bauru). Instalada em um prédio com mais de 40 anos, ela precisa de "socorro". São cinco celas que acolhem as 42 presas, embora a capacidade seja de somente 30. A população carcerária já atingiu 44.

O imóvel apresenta uma série de problemas hidráulicos, elétricos e estruturais que afetam a rotina das presas. Uma ala da cadeia ficou sem energia elétrica por conta de um curto-circuito, recentemente.

As paredes dos corredores mostram claramente que há ou houve infiltrações nas paredes. Os fios pendurados que seguram a iluminação deixam nítida a necessidade urgente de substituição. São fio cobertos de tecido, como os fios de ferro de 20 anos atrás.

As janelas estão sem vidros por conta da ação das próprias presas, que reclamam da entrada do ar frio da madrugada. Em algumas celas é possível verificar que foram feitos "remendos" a fim de sanar problemas hidráulicos.

Os vitrôs do corredor foram vedados com uma parede, o que evitou a entrada da água de chuvas, mas as goteiras ainda persistem. “Quando a chuva é intensa, há goteiras nas celas”, reclama uma presa.

No ano passado, um motim de presas movimentou a cadeia, lembra o delegado diretor Claudinei Salvateo. “Quando há superlotação, as presas ficam incomodadas com a falta de espaço e se revoltam. Com menos presas, não há disputa de espaço.”

A superlotação também pede reforço de policiais, frisa o diretor. “Com uma população carcerária acima da capacidade, necessitamos de mais funcionários para a carceragem e escolta.”

Os pedidos de reforma na cadeia já foram solicitados, mas ainda não houve resposta. “Oficialmente, não recebemos resposta. É preciso que haja verba disponível. Os gastos serão grandes porque o prédio é muito antigo. As obras devem atingir a delegacia que fica anexa a cadeia e também apresenta os mesmos problemas”, prevê o diretor.

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Berçário

Um homem ocupa o espaço destinado exclusivamente a mulheres. É o recém-nascido que ainda é amamentado pela mãe, a presa M. A.O. O menino, que ainda não tem um mês, vai ficar com a família da presa, que tem mais cinco filhos.

M.A. é uma das quatro presas que vão ter o filho na carceragem de Dois Córregos, comenta o diretor Claudinei Salvateo. “Elas chegam grávidas e são encaminhadas para o hospital para o parto. Retornam com os recém-nascidos, que são encaminhados para a família ou para algum abrigo da região.”

O menino é o único homem da cadeia e o xodó das ‘meninas’. Sua presença aflora o sentimento de mãe em todas as presas, que despejam carinhos no menino que dorme despreocupado com a situação.

A presa K.P.S., 29 anos, deve dar a luz até o final do mês de maio e mais um bebê deverá ficar, temporariamente, na cadeia de Dois Córregos. Ela diz que o filho vai ficar com a família. “Minha família vai cuidar do bebê até eu sair da cadeia”. Ela responde por crime de tráfico de entorpecente.

Outra presa grávida é M.B., 21 anos, que vai dar a luz em agosto, conforme previsão médica. “Minha família vai ficar com o nenê, eu já combinei com eles.”

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Cadeias

Seccional Jaú

Igaraçu do Tietê - masculina

Bariri - masculina

Barra Bonita - masculina

Dois Córregos - masculina

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CR & CDP

Jaú - CR - masculino

Bauru - CDP - masculino

Marília - CR - masculino

Lins - CR - masculino

• CR - Centro de Ressocialização, não é cadeia. É um espaço onde os presos ficam retidos no início ou no final da pena. Não há celas, são alojamentos e, apesar da segurança ser do Estado, a administração é feita por uma organização não-governamental. Os presos trabalham e contam com uma infra-estrutura multidisciplinar de dentistas, médicos, psicólogos etc.

• CDP - Centro de Detenção Provisória - antiga cadeia, onde os presos ficam aguardando sentença. A partir da condenação, vão para as penitenciárias.

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