Com a chegada do friozinho, o cachecol é sempre uma ótima opção para dar um toque divertido, glamouroso e até sensual à roupa pesada desse período.
No outono e inverno de 2004, os cachecóis roubam a cena pelas ruas e já é possível ver vitrines cheias de novidades tanto no colorido quanto nas texturas.
Até grandes estilistas usaram e abusaram desta faixa quentinha e despojada na última edição da São Paulo Fashion Week.
Se o roqueiro Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, estivesse vivo e de bem com a moda, provavelmente iria gostar de vestir a coleção da British Colony, criada por Maxime Perelmuter, na qual o grunge empresta elementos do esportivo até o chique.
Habilidoso com as misturas de cores e tecidos, o estilista propõe uma moda que agradaria meninos e meninas descolados.
As tradicionais camisas com estampa xadrez ganham uma camada de babados no fechamento, mistura casacos de náilon prata e colete vermelho xadrez e até muita alfaiataria misturada, obviamente, com cachecóis.
Marrom é a cor base da coleção de Marcelo Sommer que coloriu leves vestidos de camadas plissadas e misturou ao verde, vermelho e dourado, no xadrez e quadriculados. Para as mulheres, a base é a silhueta de cintura marcada e saias abertas, justa nas pernas com leggings e confortável no jeans e nas bermudas. Pelerines e cachecóis de crochê adornaram as produções.
Na releitura de Ricardo Almeida para a moda black-tie há lãs frias nas blusas de gola alta, couro em casacas compridas e veludos. Apesar da proposta de um inverno todo fechado, as peças podem ser usadas o ano todo. E nos dias mais frios, cachecóis de lã e pele de coelho prometem esquentar. O jogo de sobreposições é o exercício que o estilista propõe.
Muitas cores
Se os homens estão liberados para usar cachecol até com terno, e isso não é prerrogativa de Rodrigo Santoro em desfile.
As misturas de muitas cores e estampas dão alegria à coleção da Patachou, grife mineira assinada pela estilista Tereza Santos, que traz modelos com gorros na cabeça e malhas em tricô e longas meias.
Cachecóis, feitos com tiras de diferentes cores trançadas ou amarradas com nós, adornaram looks compostos por cardigans, vestidos e calças.
A estilista Tereza Santos investiu ainda em divertidas estampas de bolinhas e estrelinhas nas meias (soquete ou sete oitavos), calcinhas e blusas.
Artesanais
Os cachecóis, também produzidos no tear, são velhos conhecidos do inverno e podem ser colocados de diferentes formas, enrolados duas vezes em volta do pescoço, em formato gravata, um nó, uma ponta maior que a outra ou simplesmente jogado.
A moda está tão plugada nos costumes que traz para esse inverno um cachecol diferente: nas suas duas pontas existem bolsos, onde dá para guardar o celular, um documento e até o cartão de crédito numa balada, mas é claro que é preciso cuidado.
____________________
Pai da gravata
As primeiras gravatas surgiram em Roma, no século I a.C. Nos dias mais quentes, os soldados romanos, para se refrescar, usavam a focale, uma espécie de cachecol úmido amarrado ao pescoço. Apesar de muito prática, a gravata romana não virou moda. A gravata moderna teve de esperar mais de 18 séculos para cair no gosto popular e também está associada a outro costume militar.
Em 1668, um regimento de mercenários croatas a serviço da Áustria apareceu na França usando cachecóis de linho e de musselina. Os franceses, com sua característica preocupação com o vestuário, adoraram o cachecol iugoslavo e logo começaram a aparecer em público - homens e mulheres - usando gravatas. Eram modelos de linho ou de renda, com nós no centro e longas pontas soltas. Os franceses passaram a chamar seus lenços de pescoço de cravate (“gravata”, em inglês), porque em francês essa palavra significa também croata.
A gravata-borboleta pode também ter se originado entre os homens da Croácia. Elas eram feitas a partir de um lenço quadrado, dobrado na diagonal, amarrado com um nó em forma de laço e preso com uma corda em volta do pescoço.
Fonte: Guia dos Curiosos