Cultura

Recortes de poesia

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Uma reflexão sobre a língua portuguesa e os escritores que através dela influenciaram a literatura brasileira. Essa é a síntese do monólogo “Retalhos”, que será apresentado pela atriz Marisa de Oliveira hoje, às 20h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”.

A peça - que é uma realização da Cia. de Dramas e Folias (grupo bauruense do qual Marisa é integrante) - é uma reunião de diversos fragmentos de poemas escritos por 13 autores de destaque no cenário literário: Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Machado de Assis, José de Alencar, Casimiro de Abreu, Cora Coralina, José Régio, Cecília Meireles, Mário de Andrade, Clarice Lispector, Hilda Hilst e Fernando Pessoa - incluindo seus heterônimos.

De acordo com Marisa, que em parceria com o ator Ezequiel Rosa é responsável pela adaptação do espetáculo, a idéia de se produzir “Retalhos” nasceu a partir de uma conversa com um grupo de professores que reclamaram da dificuldade em incentivar a leitura em sala de aula.

Pensando nisso, a peça visa destacar, através da obra desses poetas, a importância de se trabalhar a língua portuguesa e a literatura como forma de aprendizagem. “A idéia é apropriar-se das mais variadas manifestações literárias da língua portuguesa produzidas em épocas, culturas e lugares diferentes, além de reforçar conhecimentos sobre o padrão culto da língua e suas convenções, observando a singularidade de cada escritor e obra”, explica Marisa.

Em “Retalhos”, a personagem vive um conflito emocional, mostrando suas reações através dos diferentes personagens criados pelos autores. “A maioria dos poemas fala de amor através da ótica de vários poetas. O espetáculo retrata também a busca pela liberdade”, adianta a atriz. “É uma mistura de sentimentos, que são frutos das diferentes interpretações dos autores. A peça leva para o público a essência de cada autor”, observa.

A peça tem início com recortes da obra “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, que possui forte impacto emocional e linguagem regional extremamente elaborada. Em seguida, passa pelos textos de Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, José Régio, entre outros poemas marcantes, como “Senhora” de José de Alencar, “Medo da Eternidade” e “Passagem das Horas”, de Fernando Pessoa.

• Serviço

Apresentação do monólogo “Retalhos”, com Marisa de Oliveira, hoje, às 20h, no Teatro Municipal de Bauru. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.

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“Eu amo a minha loucura

E levanto-a com um facho à arder na noite escura

Eu sinto sangue e espuma

Cântico nos lábios”.

José Régio

“Mas sorri, porque eu que sou ainda uma criança, não tinha mais o peso e nem o medo da eternidade sobre mim”.

Clarice Lispector

“Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, mas tudo que sobrou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.

Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos;

Eu fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-lo e não conseguisse”.

Fernando Pessoa

“O mais importante e bonito do mundo é isto; que as pessoas não estão sempre iguais, mas que elas vão sempre mudando...”.

Guimarães Rosa

“Não se luta contra o destino; o melhor é deixar que nos pegue pelos cabelos e nos arraste até onde queira alçar-nos ou despenhar-nos”.

Machado de Assis

“Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem minhas dores.

Por isso me dispo,

Por isso me grito,

Por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias,

Preciso de todos”.

Carlos Drummond de Andrade

“A alma que estraga o amor

Só em Deus ela pode encontrar satisfação,

Só em Deus

Ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis”.

Manuel Bandeira

“Muros castos e tristes

Cativos de si mesmos

Como criaturas que

envelhecem

Sem conhecer a boca de homens e mulheres."

Hilda Hilst

“Quero te servir a poesia numa concha azul do mar ou numa cesta de flores do campo”.

Cora Coralina

“O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!

Fora os que algarismam os

amanhãs!

Olha a vida do nosso setembro.

Fará sol? Choverá?

Mário de Andrade

“Eu canto porque o instante existe, e a minha vida esta completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta”.

Cecília Meireles

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