Cultura

Artigo: As 2.500 gargantas de Frejat

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru tem o privilégio de ter participado de apresentações antológicas de Roberto Frejat. Quem vive a cena musical da cidade há algum tempo jamais se esquece da apresentação sob a maior tempestade, que o Barão Vermelho fez no Skol Rock de 1997, no terreno (de barro mesmo!) do antigo autocine Pop Top. A chuva não dava trégua e Frejat não arredava o pé do palco. No dia seguinte, foi tocar no programa Bem Brasil, do Sesc Interlagos e mandou abraços para o público de Bauru animado até debaixo d’água.

Em janeiro de 2001, recém-chegado da última versão tupiniquim do Rock in Rio, onde o Barão Vermelho roubou a cena e deixou saudades, a banda voltou para reencontrar seus fãs.

Poucos shows depois, a banda formada em 1981 numa parceria com Cazuza, o poeta que estará sempre vivo, deixaria que cada um de seus integrantes tomasse seu rumo. O fim? Não, apenas um recesso, férias mesmo.

Frejat preparava seu primeiro disco solo “Amor pra recomeçar”, que Bauru só pôde conferir ao vivo na última sexta-feira, privilégio de 2.500 pessoas que lotaram o ginásio do Sesc esgotando convites um dia antes do show e que, sem exceção, sabiam cantar o repertório do show que mesclou hits do Barão e canções do primeiro disco e do último CD “Sobre nós dois e o resto do mundo”.

Aliás, a faixa título “Sobre nós dois” abriu o show e estava programada para fechá-lo. Mas Frejat, filho de político e trajando um uniforme militar, cumpriu a promessa e fechou o espetáculo cantando, ou melhor, deixando cantar “Exagerado”, uma das canções mais executadas de toda a carreira do Barão desde os tempos de Cazuza.

Durante o show foi possível detectar um público heterogêneo: casais apaixonados, roqueiros convictos, a turma da balada, crianças e porque não vovós de tênis modernosos, plugadas numa bateria alcalina.

Mais de 20 anos se passaram e a voz de Frejat continua densa e grave. O roqueiro consegue casar com rifes de guitarra e baixos bem pesados e frases açucaradas como: “procuro um amor que seja bom pra mim, vou procurar e vou até o fim”, de “Segredos” ou “por você eu deixaria de viver”, de “Por você”, sem criar crises musicais ou conjugais.

Declarações apaixonadas de uma poesia máscula e profunda são o forte de Frejat, que acredita que homem não chora, mas se emociona com um coro cantando “todo amor que houver nessa vida” ou com uma massa humana gingando ao som de “Malandragem dá um tempo”.

O show termina com um bis que homenageia duplamente Cazuza e deixa no ar que existe amor para recomeçar inclusive a carreira com o Barão Vermelho.

Quem assistiu ao espetáculo saiu de lá rouco, suado e ainda mais apaixonado, quem não estava, ficou.

Comentários

Comentários