A matéria jornalística envolvendo o presidente Lula e que foi motivo da carta do senhor Eraldo B. Marques (13/5/04), permite algumas reflexões. Inicialmente, revela seu hábito na leitura do NYT, o que merece admiração e respeito. O estilo do jornalista, com ênfase para mordacidade, cinismo, destaque para fatos negativos, parece normal em qualquer matéria para jornal que precisa vender. O que deve ser combatido de forma aguerrida e determinada com todos os instrumentos jurídicos legais disponíveis é a calúnia, difamação, injúria e os danos morais que a matéria traz no seu conteúdo. Para isto, a Justiça de Nova York existe, funciona e está à disposição. Expulsar o jornalista Larry Rohter é a forma eficiente de dar notoriedade e martirizar um profissional desonesto e medíocre, que escreve sua verdade fundamentada em “especulação, insinuação e história” (conforme citado no texto), além de dar de graça ao País o incômodo rótulo de “cercear a liberdade de imprensa”. Deixar o senhor Larry entre nós seria uma punição mais adequada, pois rapidamente se sentiria um estranho no ninho e logo, logo teria sua transferência para outro país. A democracia, em sua dimensão maior, tem remédios adequados para cada caso. Resta saber usá-los.
Além da inverdade em si que atinge a figura do presidente Lula, traz em seguida a inverdade de que o fato é motivo de “preocupação nacional”. A preocupação nacional é bem outra: emprego, salário, crescimento da economia, segurança e vai por aí afora. “Bebericos” do presidente Lula, após futebol e churrasco é normal e comum a todos os mortais brasileiros e nunca preocupou nenhuma alma por aqui. O jornalismo americano parece não tolerar falhas humanas no mundo político. Bill Clinton revelou-se um apreciador de “chupetas” e por pouco não foi linchado. Entretanto, desde que deixou o cargo é sempre bem recebido e tratado nos países por onde passa, muito mais lembrado pela política desenvolvida na sua gestão e pelo seu carisma, do que pelo caso Mônica Levinsky. Assim, importa mais a ação do homem político para o bem de sua comunidade, do que a falha humana que possa ter. Nunca esquecer de que não é um santo, sem defeitos.
Eng. Christopher Davies - RG 8.739.141