Os dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru vão se reunir na sexta-feira com o prefeito Nilson Costa (PTB). Eles vão reivindicar a Nilson uma revisão no reajuste de 8% concedido à categoria no mês passado. Como argumento, vão lembrar o prefeito da concessão feita aos procuradores do município, que conquistaram um aumento na gratificação salarial, que saltou de 30% para 100%.
O benefício foi aprovado pela Câmara Municipal na semana passada, através de projeto de lei enviado pelo Poder Executivo. Com isso, o salário base dos procuradores saltou de R$ 900,00 mensais para R$ 1.800,00. Somados mais alguns benefícios, alcançará a casa dos R$ 2 mil.
A alteração salarial isolada destinada aos procuradores provocou mal-estar entre as categorias profissionais que compõem o quadro do funcionalismo público municipal. Engenheiros e arquitetos, por exemplo, reivindicam, através da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), o mesmo tratamento destinado aos procuradores.
Segundo a dirigente sindical Sônia Carvalho, os servidores públicos municipais enquadrados nas categorias braçal e técnica - as mais volumosas da administração - ficaram revoltados com a decisão do prefeito de privilegiar com reajuste de salário determinados segmentos profissionais da prefeitura em detrimento das demais classes.
“A sede do nosso sindicato recebeu centenas de telefonemas de companheiros indignados com essa situação. Também percorremos a base e ouvimos dos servidores o descontentamento com essa decisão”, conta a sindicalista.
Ela deixa claro que a entidade sindical não é contra o aumento da gratificação salarial dos procuradores, mas observa que a administração deveria avaliar o conjunto da categoria antes de tomar decisões que revoltem os funcionários.
“O pessoal se sentiu desprestigiado para não falar irado”, reforça a dirigente do Sinserm. Segundo ela, dentre as propostas que serão discutidas com o prefeito está a que repõe em mais 6,5% os salários da categoria.
“O prefeito já falou publicamente que não vai mais pagar as mensalidades referentes à dívida com a Companhia Paulista de Força e Luz, a CPFL, que são de R$ 409 mil. Vamos propor que esse dinheiro seja revertido para os salários dos servidores, o que implicaria numa reposição de 6,5%”, adianta.
Logo após a aprovação do aumento da gratificação salarial dos procuradores do município, o chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, sinalizou que a administração estava aberta para avaliar as reivindicações salariais por categorias. “Já que o Marsola sinalizou, agendamos a reunião”, explica.
Marsola confirma que o Gabinete está aberto para discussões, mas avisa que a reposição de 8% está “sacramentada” e não vai ser alterada. “Estamos dispostos a estudar casos isolados das categorias. Já pedi, inclusive, um levantamento de todas as classes profissionais que compõem a administração”, informou.