Um dos principais corredores viários de Bauru, a avenida Rodrigues Alves vem sofrendo com o descaso do poder público e com a falta de manutenção em seu trecho central ao longo dos últimos anos. Enquanto os buracos e ondulações no asfalto se multiplicam de forma assustadora, a administração municipal parece incapaz de encontrar uma solução que acabe definitivamente com o problema.
Com isso, transitar de carro pela avenida, especialmente na pista da direita, é uma aventura que requer perícia e paciência dos motoristas. Para não se arriscar, muitos deles têm procurado outras alternativas para se deslocar até determinadas regiões da cidade, utilizando, por exemplo, a avenida Duque de Caxias.
Já para os passageiros que aguardam nos pontos de ônibus da Rodrigues Alves, o desafio é desviar, em dias de chuva, da água que fica empoçada nos buracos e que é lançada pelos veículos que passam próximos à sarjeta.
Até mesmo quem não utiliza a avenida freqüentemente reclama do estado de abandono da via, caso do representante comercial Afonso Celso de Oliveira, que mora em Marília. “Ela está uma vergonha e é visível que precisa urgentemente de melhorias”, critica.
O diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro Motta, acredita que a situação precária da Rodrigues Alves também afeta os comerciantes da região central. “As lojas precisam ser vistas para que os produtos possam ser comprados. Se o motorista não passa pela avenida, as empresas que ali estão estabelecidas acabam prejudicadas”, destaca.
O presidente do Grupo Pró-Bauru e da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, endossa as reclamações. “Para atravessar a avenida a pé, é terrível. Já vi diversas pessoas caindo por causa das falhas no asfalto. Para os motoristas, as dificuldades são as mesmas”, comenta.
Carvalho se mostra pessimista quanto à possibilidade da prefeitura realizar melhorias a curto prazo na avenida. “Estamos em final de governo e não adianta brigar com quem está aí. Vamos ter que brigar é com o próximo prefeito, para que ele mude Bauru”, declara.
Sem prazo
O secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, confirma que a atual administração dificilmente terá condições de promover uma reforma ampla no trecho central da Rodrigues Alves. “De imediato, não temos nada previsto para aquele trecho”, revela.
Segundo ele, a falta de recursos financeiros impede a prefeitura de realizar o serviço de recuperação da avenida. “O que encarece o procedimento é a base, porque é preciso escavar, retirar uma camada de terra, colocar outra no lugar e acrescentar a brita para, depois de tudo isso, cuidar da capa asfáltica”, analisa.
O secretário de Obras acredita que o ideal seria utilizar, na região central da Rodrigues Alves, a mesma técnica que foi adotada, no ano passado, na quadra 9 da avenida. Na época, a prefeitura reconstruiu a base e a capa asfáltica e trocou galerias pluviais na pista sentido Falcão/Nações Unidas. “É um procedimento que deu certo, embora não saibamos quanto tempo ele irá durar”, diz.
O problema é que, sem recursos, a secretaria deve adotar, novamente, apenas medidas emergenciais nos pontos mais críticos. “Se não pudermos fazer um trabalho definitivo, faremos ao menos algo paliativo, para não deixar que a avenida se torne intransitável”, relata Padovan.
Ele calcula que os trabalhos tenham início até o final do mês. Até lá, motoristas e pedestres continuarão a conviver com as crateras e ondulações da avenida. Um triste destino para um dos principais cartões postais de Bauru.
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Concreto
Em reportagens anteriores, o Jornal da Cidade alertou sobre a necessidade de reforma do trecho central da avenida Rodrigues Alves e ouviu especialistas para descobrir qual técnica seria a mais indicada para ser adotada no local.
O professor Djalma Rocha Martins Pereira, mestre em engenharia de transportes pela Universidade de São Paulo (USP), apontou o pavimento de concreto ou o pavimento asfáltico com ligante modificado (componente derivado do petróleo) como alternativas mais viáveis para a avenida, especialmente nos trechos onde há pontos de ônibus instalados.
O movimento intenso de ônibus é apontado como o fator principal para a degradação do asfalto no trecho central da avenida. Os veículos de grande porte são obrigados a frear constantemente para recolher passageiros, o que faz com que a capa asfáltica se deforme gradativamente, formando as ondulações.
A opção pelo concreto também foi a alternativa defendida pelo professor aposentado Vladimir Coelho, doutor em pavimento asfáltico pela USP.
Para o secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, o concreto traz vantagens e desvantagens. “Poderíamos até adotá-lo, pois é uma técnica em que é colocada uma malha de ferro que forma uma laje. Eu acredito, porém, que o problema não está na superfície, e sim na base”, opina.
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Povo-fala
O que você acha do estado de conservação da avenida Rodrigues Alves?
“É um descaso com a população. O povo tem sido honesto ao pagar seus impostos, mas quando mais precisa da prefeitura, não tem retorno.”
Paulo Sérgio Mariano de Souza - borracheiro
“Péssimo. Quando estou de carro, tento até não passar por aqui.”
Sandra Regina Poli - auxiliar de cobrança
“Lamentável. Para quem precisa pegar o ônibus, é pior ainda, porque a água dos buracos é toda espirrada na gente.”
Valdelir Decarli - auxiliar de serviços gerais
“É a cara da administração municipal. Quando o ônibus pára, tenho que tomar cuidado para não me molhar.”
Cláudia Macedo - recepcionista
“É uma vergonha e um risco para quem fica esperando o ônibus e corre o risco de ser molhado.”
Kátia Cibele - dona de casa
“Está muito ruim. É muito buraco junto.”
José Edilson - autônomo
“Para quem dirige, está muito feio. E não é só na avenida, mas em vários outros lugares de Bauru.”
João Carneiro - técnico em manutenção geral
“Horrível. O trânsito na avenida está complicado por causa dos buracos.”
Rita de Cássia Pegolo - vendedora
“Sou de Pongaí e é a primeira vez que passo por aqui, mas dá para perceber que a situação da avenida não está nada boa.”
Sidmar Bento de Souza - pedreiro
“Calamitoso. A avenida está perigosa para quem transita de carro e também para os pedestres.”
Milton Lucas - pastor