A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem mais um caso de leishmaniose visceral humana, o 5.º registrado neste ano em Bauru e o 19.º desde setembro do ano passado, quando a doença surgiu na cidade. A pessoa contaminada tem 34 anos e mora no Jardim Prudência, também na região oeste, considerada o foco de contaminação.
Na semana passada, uma moradora do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16) de 46 anos morreu devido a complicações da mesma doença. A primeira morte por leishmaniose entre humanos na cidade ocorreu em novembro do ano passado, mas o fato só foi divulgado em fevereiro deste ano.
A nova paciente está internada para tratamento, segundo informou a diretora do Departamento de Saúde Coletiva, Maria Helena Abreu. Os outros casos de leishmaniose em humanos notificados neste ano foram identificados nos Jardim Manchester (um caso), Vila Dutra (dois casos) e Núcleo Edson Francisco (um caso).
As equipes da saúde continuam atuando na região oeste, informa o Departamento de Saúde Coletiva. Técnicos estão concluindo o trabalho de busca ativa no Núcleo Edson Francisco e as equipes que coletam sangue de animais estão no Jardim Petrópolis.
Agora, com a confirmação desse novo caso, os técnicos retornam às imediações da residência da pessoa infectada e abrem novamente um raio de 200 metros de atuação para busca ativa e trabalho ambiental. A leishmaniose é transmitida a cães e a humanos através da picada do mosquito palha infectado com um protozoário (microorganismo), que fica alojado dentro de células do sistema imunológico.
A doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provoca um processo infeccioso, além de anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente. Em cães, neste ano já foram registrados cerca de 200 casos da doença, para mais de 2 mil exames realizados.
Moradores da região oeste estão preocupados com o surgimento de novos casos. O aposentado Manoel Ferreira de Almeida, morador no Jardim Eldorado, conta que já chegou a chamar um veterinário para avaliar seu cachorro. “O veterinário disse que está tudo bem com meu cachorro, mas a gente fica preocupado com aqueles de rua, cheios de ferida”, frisa.
A dona de casa Simone Fernandes Targino, que mora no Jardim Andorfato, conta que o cachorro de sua sogra, com suspeita de leishmaniose, foi sacrificado. “As unhas cresceram e ele emagreceu. Tiveram que matar”, lamenta.
A também dona de casa Teresa Rosa, moradora na região oeste, reclama que há muitos terrenos com lixo acumulado, que podem ser criadouros do mosquito transmissor da leishmaniose. “A gente não tem como evitar porque jogam (o lixo) à noite”, diz.