Um dos mais tradicionais pontos-de-venda e troca de produtos de Bauru, a Feira do Rolo vem passando por mudanças desde o início do ano, quando a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) decidiu disciplinar a atividade dos comerciantes que se instalam aos domingos pela manhã na rua Júlio Prestes. A pasta cadastrou os feirantes, que agora são obrigados a usar crachá. O objetivo é acabar com a presença de mercadorias furtadas ou roubadas no local.
A grande quantidade de reclamações quanto à procedência de parte dos produtos vendidos na feira fez com que, no início do ano passado, ela estivesse ameaçada de extinção. O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) chegou a propor que o prefeito Nilson Costa (PTB) adotasse a medida caso não houvesse uma regulamentação efetiva da atividade desempenhada pelos feirantes.
O titular da Sagra, Seiko Tokuhara, explica que a primeira medida adotada pela pasta para tentar mudar a imagem da Feira do Rolo foi promover um recadastramento rigoroso dos comerciantes. “Exigimos o atestado de antecedentes criminais e, com isso, as pessoas que estavam envolvidas com furtos, roubos e receptação foram eliminadas”, relata.
O comandante da Base Comunitária Centro da Polícia Militar (PM), tenente Jovercy Bergamaschi Júnior, aprova as alterações promovidas pela prefeitura. “Para a polícia, qualquer iniciativa para tentar regular uma atividade com o objetivo de melhorar a prestação de serviços para a comunidade, é bem-vinda. Há algum tempo, aquele era um local considerado bastante problemático, mas agora está bem mais tranqüilo”, opina.
Segundo ele, o número de ocorrências policiais registradas na feira teve uma queda significativa nos últimos meses. “Mantemos um policiamento constante naquela região, mas são raros os casos em que a nossa presença é solicitada pelas pessoas ou fiscais que lá estão. Os comerciantes também têm se conscientizado e colaborado conosco”, analisa.
Para o vereador Agostinho, a Feira do Rolo realmente vem evoluindo a partir das ações realizadas desde janeiro. “Houve grandes avanços”, comenta.
Crachá
Atualmente, os comerciantes que atuam na rua Júlio Prestes aos domingos pela manhã são obrigados a utilizar um crachá de identificação fornecido pela prefeitura. Fiscais da Sagra e policiais militares se revezam na tarefa de percorrer a feira em busca de irregularidades.
“As medidas que foram adotadas são uma segurança a mais para quem trabalha ou compra aqui”, conta o comerciante Doraci Morijo, que atua na Feira do Rolo há quatro anos.
Com o recadastramento promovido pela Sagra, cada feirante passou a ter um ponto definido para trabalhar. “Antes, se eu não chegava cedinho, perdia o lugar. Agora, posso vir um pouco mais tarde”, afirma a comerciante Sueli Martins, que desempenha a função na feira há 11 anos.
Entre os consumidores, a sensação de segurança também vem aumentando. “Percebo que a feira está mais calma e se transformou em um lugar melhor para ser freqüentado”, analisa o jardineiro Marcelo Santana.
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Problemas
Apesar dos esforços patrocinados pela prefeitura para normatizar o funcionamento da Feira do Rolo, nem todos os problemas existentes no local foram resolvidos. Comerciantes reclamam que alguns colegas ainda não efetuaram o recadastramento, mas continuam trabalhando normalmente.
O fato é confirmado pelo secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Seiko Tokuhara. Ele calcula que cerca de 30% dos comerciantes ainda não regularizaram a sua situação. “Eles aproveitam os momentos em que os fiscais não estão em determinado trecho para vender as mercadorias”, diz.
Para combater o problema, o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) também cobra uma fiscalização mais efetiva no local. “Esse quesito ainda está deficiente e precisa melhorar”, opina.
Segundo Tokuhara, a prefeitura estuda realizar ações conjuntas com a Polícia Militar e com a Polícia Civil para coibir a presença dos feirantes ilegais. “Com isso, pretendemos que o índice de comerciantes regularizados chegue a 100%”, projeta.