Turismo

Grandes lagos pedem preservação

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura de Panorama e o Conselho Municipal de Turismo (Comtur) convidou representantes da imprensa para participar do 2.º Encontro de Jornais da Região dos Grandes Lagos, nos dias 17 e 18 de abril, momento em que foram discutidos assuntos relacionados à sua história e projetos futuros. Uma das preocupações levantadas pelo professor Nadir Pousa, ex-presidente da Câmara Municipal, é fazer com que Panorama se desenvolva por meio do turismo.

“Chegamos a ter um grande desenvolvimento na área de cerâmica, agora, com a construção do lago, o barro vai acabar e dar lugar para a valorização desse importante lago fluvial, um dos maiores do Brasil”, discorre Pousa.

Em sua apresentação, ele valorizou os principais atrativos, como o Balneário e a Travessia do Rio Paraná a Nado que, de acordo com Pousa, é o evento esportivo em águas abertas mais antigo do País, que ocorre em setembro.

“O turismo é uma fonte inesgotável para nós divulgarmos, por isso é importante lembrar que o jornalista é um contador de histórias”, disse o jornalista Homero Ferreira, professor da Unoeste, em palestra que questionou o papel dos jornais do Interior.

Desenvolvimento sustentável

O valor da imprensa na educação ambiental foi o tema abordado pelo comandante da 2.ª Companhia da Polícia Ambiental de Birigüi, tenente-coronel Milton Boer, durante o encontro. Para ele, que atua há mais de nove anos na área, é preciso educar para desenvolver. “Notamos o conflito entre o pescador profissional e o amador e o turista. O esportivo não quer ver redes de pesca ou pescadores com tarrafas. No passado, chegamos a ter registros de ocorrências com o pescador amador tirando redes e colocando fogo”, relembra.

Desses conflitos do passado, o trabalho de educação ambiental foi fundamental para iniciar uma mudança de comportamento, tanto do pescador profissional quanto do amador. “O pescador profissional está deixando de ser extrativista para se tornar produtor de pescado ou guia de pesca. Em Panorama, muitas pessoas já foram beneficiadas com o financiamento para tanque-rede, uma tecnologia que está disponível.”

De acordo com o comandante, hoje compra-se pescados sem saber ao certo a sua origem. “E se o peixe veio de uma saída de esgoto ou de um rio onde há índices de contaminação e poluição? A partir do momento que há incentivo, saberemos a origem, teremos qualidade e é um salto para a exportação. O mercado internacional está receptivo ao peixe brasileiro”, acrescenta Boer.

Mas é preciso cuidado e fazer um trabalho controlado. “Eu estive no Amazonas, e o que está sendo feito lá é uma coisa fora do controle. O peixe-boi e o pirarucu, que têm suas carnes muito apreciadas no mercado internacional, não está tendo uma tratativa dentro da sustentabilidade. E isso, o que é? É preservar e tirar dela as condições necessárias. O peixe-boi está quase extinto”, alerta.

Na ótica do desenvolvimento sustentado, Boer acrescenta que a produção do pescado traz o alimento necessário com a conservação dos recursos naturais para atrair o turismo. “Transformar o pescador profissional em produtor ou guia de pesca é a nossa linha de ação.”

Balneário

Inaugurado em setembro de 2003, como um “presente” da Cesp pelo impacto ambiental causado pela construção da hidrelétrica, o Balneário “Frederico Platzeck” tem atraído visitantes da região de Panorama. Durante o Carnaval deste ano, o local recebeu mais de 80 mil pessoas e é bastante movimentado nos finais de semana.

São 700 metros de praia artificial reservados ao banho, além de uma área determinada para esportes náuticos, como jet sky e caiaque. O Balneário também possui quadras esportivas - vôlei, futebol, futebol de areia -, camping, quadra coberta de bocha, parque infantil, praça de eventos com capacidade para 15 mil pessoas. No total, são sete lanchonetes e um restaurante, que recebem visitantes de toda a região. Para as embarcações e também para obter uma vista panorâmica do rio Paraná, foi construído um atracadouro.

O Balneário, de acordo com Newton Ingracia, membro do Comtur e proprietário do Paranoá, tem condições de atender turistas em um raio de 300 quilômetros. “É perto, barato e traz muitas opções de lazer ao visitante”, comenta. Segundo ele, inclusive os hóspedes do hotel costumam freqüentar o Balneário. “As pessoas de Panorama vão a pé, pois é dentro da cidade, com uma ampla área para receber o turista.”

Ingracia acrescenta que o lago beneficiou também os apaixonados pela pesca. “Houve uma melhora considerável, principalmente com a introdução do tucunaré. Aqui, embora seja um lago, a água é corrente, o que valoriza muito, pois é possível encontrar as espécies nativas como dourado, piracanjuba, piapara e piau.”

Conscientização

A Polícia Ambiental de Panorama aproveita o movimento constante no Balneário para trabalhar a conscientização da população. Freqüentemente, são organizadas exposições de animais da região taxidermizados que foram abatidos por caçadores. “Ainda temos muito jacaré-açu, jacaré-de-papo-amarelo, veadinho campeiro, tamanduá, mas é fundamental fazer um trabalho de educação ambiental para que a comunidade valorize o meio ambiente”, acrescenta o sargento Dagoberto Francisco Mendes, comandante da Polícia Ambiental de Panorama.

De acordo com ele, a Polícia Ambiental ainda enfrenta a falta de respeito de pessoas que insistem em caçar as espécies nativas. “Elas são autuadas e respondem por crime ambiental. É difícil compreender a caça em um momento em que é possível comprar qualquer tipo de carne, de cativeiro é claro. A caça não é para subsistência”, conclui o sargento Dagoberto.

Comentários

Comentários