Pesca & Lazer

Lago reserva surpresas para pescador

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

Os amantes da pesca esportiva encontram em Panorama, às margens do rio Paraná, diversidade de espécies, o que permite uma aventura por várias modalidades. Durante o 2.º Encontro de Jornais da Região dos Grandes Lagos foi possível participar de um dia de pescaria e sentir um pouco as surpresas daquela imensidão de águas.

Ao cair da tarde, no primeiro contato com o rio, no flutuante do Hotel Paranoá, a equipe de reportagens do Jornal da Cidade tem uma amostra do que será a pescaria na manhã seguinte. São 15 metros de profundidade, o que sinaliza a possibilidade de uma péssima ou excelente pescaria. Por sorte, a segunda opção foi a mais acertada.

O pescador e gestor ambiental Haroldo Ticianelli arrisca um arremesso de isca artificial e surpreende-se com a rapidez da ação. Uma cachorra facão bate com força e dá um belo espetáculo ao saltar para livrar-se da isca. Ponto para a esportiva cachorra, que fugiu. O fato animou o grupo, que aproveitou para lançar iscas de todos os sabores e formas.

Minhocas, lambaris e artificiais se misturavam no flutuante. O grupo, aventurava-se pela primeira vez naquelas águas, com as orientações de Domingos Barbosa, o Bill, que aos 45 anos é responsável pelo local, que conta com banheiros para atender aos pescadores. Pescador profissional que hoje atua somente na administração do flutuante, Bill sinaliza a possibilidade de algumas corvinas. “Mas aqui?”, questiona Ticianelli. “O ponto é bom”, completa Bill. “Então logo será a hora dela”, fala Ticianelli. Durante a primeira hora de pesca, somente as piranhas deram sinal. Roubaram iscas e anzóis e renderam carne suficiente para um bom caldo.

De repente, começa a brincadeira. Ticianelli sente a vara envergar e começa a briga. “Parece peixe de couro”, comenta. “Pode até ser pintado, é difícil aqui... tem também muito armal”, comenta Bill. O puxa-puxa continua até o momento em que Ticianelli retira a “surpresa” da água: uma bela arraia. Com todo o cuidado para não ser ferido pelo ferrão, a arraia é bastante perigosa, Ticianelli devolve a arraia para o rio. E a pescaria continua.

Troca isca, muda a linha, o anzol. O silêncio cortado pela cantoria dos sapos, trouxe uma nova esperança. Aí elas começaram a bater. A primeira corvina foi uma surpresa. O grupo já estava meio desconfiado das histórias de Bill, mas uma grande prateada deu sinal. Brigou, mostrou a carinha e escapou para o Paraná. Com brilho nos olhos, os pescadores ganharam mais um fôlego para continuar. Usando lambaris como isca viva, as corvinas foram aparecendo, sempre na mesma profundidade. O cardume passou por lá.

Satisfeito, o grupo retornou ao Paranoá Hotel para descansar e se preparar para a manhã seguinte que prometia tucunarés. Tralha pronta, guia agendado, iscas, lanchinhos e muita vontade de pescar.

Em busca dos tucunas

Seis horas da manhã, barco no rio e tudo pronto. O guia de pesca Jonas Mendonça dos Santos, 40 anos, também é policial militar e trabalhou durante 20 anos como pescador profissional. Hoje é um defensor da pesca esportiva e conhece muito bem a região. Mendonça comenta: “Hoje está ventando um pouco, a pescaria pode ser prejudicada, mas vamos lá”.

Apesar da diversidade de espécies que o rio Paraná oferece, a pescaria era de tucunarés. Com a habilidade de quem nasceu no rio, Mendonça atravessa a área que seria, antes da cheia, o leito do rio, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Ali começa um novo ambiente, um igapó, com lagoas, galhadas e aguapés, ambientes propícios para encontrar o predador tucunaré.

Mendonça guiava o grupo por um verdadeiro labirinto para começar a “caçada”. O termo, apesar de não muito adequado em tempos ecologicamente corretos, retrata perfeitamente o que estava acontecendo. Na leitura das condições do rio, temperatura e até da pressão atmosférica – segundo Mendonça para o tucunaré a ideal é 980 milibares -, o guia deflagra uma corrida à procura dos tucunarés.

Embora não muito constantes, as ações na artificial começaram cedo. “O tucunaré pega o dia inteiro, mas as possibilidades aumentam quando eles estão cardumados”, ensina. A procura continua. Os pescadores arremessam suas iscas em cada galhada, próximo aos aguapés. Nas regiões marcadas pelo guia.

E as ações começam. Mesmo com o vento forte, que depois iria inviabilizar a tarde de pesca – a navegação fica muito arriscada quando o vento é forte – os tucunarés dão vários ataques e surpreendem os pescadores. Haroldo Ticianelli apostou na isca artificial e encontrou o predador. Com uma isca de meia-água, ele pescou vários tucunarés, alguns passando de um quilo.

A briga com um peixe também foi motivo de risos entre os pescadores. Nosso fotógrafo Éder Azevedo cismou com um peixe que roubou por várias vezes seu lambari. Para ele, uma “enorme” traíra, que mais tarde deveria se entregar. E foi quase assim, quando o peixe deu-se por vencido e deixou-se fisgar. Nessa hora, ele há tinha apelado pelo uso de isca artificial com um pedaço de lambari e, acreditem, uma bóia. O engraçado é que a tal “trairona” se transformou em uma bela piranha. Segundo Ticianelli, ela enroscou no anzol de tanto rir ao ver a criatividade do fotógrafo.

A manhã de pesca foi recheada com várias ações, não exatamente proporcional à ansiedade dos pescadores, que iriam embora no final do dia, mas bastante divertida e diversificada. A tarde foi reservada para os preparativos para o retorno e, é claro, um sashimi de tucunaré às margens do rio Paraná para recuperar as energias.

Pescadores vêm de vários locais

Ronaldo dos Santos é de Diadema e pesca em Panorama há mais de 3 anos. Cliente do Clube Paranoá, conta que a pesca no rio Paraná é bastante produtiva: “Você pega de tudo, pintado, dourado, tucunaré, cachorra, facão, corvina, piau, piava. A pesca já esteve melhor, eu diria dez! Hoje, a nota seria oito”, avalia. Acompanhado do amigo Adilson Caramello, Santos já participou de boas pescarias e momentos agradáveis na região.

No Carnaval, o pescador João Pereira, de Alphaville, esteve em Panorama acompanhado do amigo Arnaldo e encontrou tempo bom: “Porém, os peixes estavam escassos. Fiz testes com as iscas gotcha e saíram: tucunarés, corvinas e cachorra”, comenta. Eles aproveitaram para curtir a natureza e presenciar uma ariranha devorando seu prato preferido: peixe.

* A jornalista viajou a convite do Hotel Paranoá Clube

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