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Espanha: além do casamento real


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Por trás do casamento real, do dia 22, em Madri, reside uma série de detalhes fundamentais para se entender o centralismo da instituição política que está em jogo com o matrimônio. A instituição monárquica exerce duas funções fundamentais. A Coroa é a máxima representação do Estado para o Exterior. O monarca também é o comandante em chefe das Forças Armadas. Entre suas funções específicas destaca-se a nomeação do primeiro-ministro, após apresentação da decisão do Congresso e a prerrogativa de declarar a guerra e fazer a paz.

Daí que o futuro da instituição monárquica depende, em grande parte, de como se desenvolverá o roteiro depois do casamento do príncipe Felipe de Borbón com Letíizia Ortiz. Ambos são bastante inteligentes e, sobretudo, espertos e alertas. Ele porque teve de cumprir regras rígidas durante toda sua vida. Ela porque precisou tomar uma decisão vertiginosa, de vir a ser rainha da Espanha, o que tem sua importância, sobretudo se traduzido em outros idiomas.

Paradoxalmente, as reticências e críticas à monarquia não procederão de liberais ou da esquerda, nem mesmo dos partidos explicitamente republicanos, mas dos conservadores e dos “monarquistas de toda a vida”. Estes, reforçados pela nobreza dinossáurica, permaneceram discretamente mudos durante este longo quarto de século, à espera do primeiro erro do rei Juan Carlos ou da rainha Sofia. A esquerda tem sido mais firme no apoio à monarquia, a qual vislumbraram precocemente como aliada e garantia da consolidação da democracia, em estado precário durante os primeiros anos da transição. Isto foi possível ver claramente na tentativa de golpe de Estado de 1981, detido pelo próprio monarca. Com a experiência de seu avô, Alfonso XIII, que perdeu o trono por incentivar a ditadura do general Primo de Rivera, Juan Carlos também estava consciente de que a família de sua mulher perdeu o trono da Grécia quando seu irmão Constantino se uniu com os coronéis.

Encerrada a lua-de-mel, os erros mais insignificantes não serão permitidos pelos espanhóis. Menos monarquicamente embelezado do que o britânico, o povo espanhol tem menos paciência: com 10% das travessuras reais em Londres, a monarquia espanhola teria terminado em algumas semanas.

O autor, Joaquín Roy, é diretor do Centro da União Européia da Universidade de Miami.

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