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IPMet prevê inverno com muita chuva

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O clima nostálgico deste outono, em que temperaturas baixas oscilam com o tempo chuvoso, vai se prolongar até o inverno. A próxima estação, que começa no dia 20 de junho, será a mais chuvosa dos últimos quatro anos. A previsão é do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que ontem reuniu especialistas e a imprensa para divulgar as características do inverno.

De acordo com os mapas meteorológicos, a tradição de clima seco não se repetirá neste inverno. A previsão de chuva em julho e agosto é quase quatro vezes maior que a média do período.

“Esperamos 70 milímetros de chuva em julho e agosto. A média para os dois meses é de 20 milímetros. Em 2000 tivemos um inverno assim. A característica do nosso inverno é de ausência de chuvas, não o frio”, explica o meteorologista do IPMet José Carlos Figueiredo, que ministrou a palestra.

Ele acredita que as chuvas serão amenas, mas não descarta a possibilidade de tempestades e de temperaturas baixas variando entre quatro e cinco graus. “Temperatura baixa é uma raridade. Teremos três ou quatro eventos de frio que duram quatro ou cinco dias, parecido com (o que aconteceu) no ano passado”, informa.

Junho é o mês menos quente do inverno (estação que termina dia 22 de agosto), quando a média de temperatura deve oscilar entre 12 e 14 graus, sendo que a média histórica é de 13 graus. A combinação entre baixas temperaturas e chuva preocupa o secretário municipal da Agricultura, Seiko Tokuhara. Ele teme que uma massa de ar fria possa trazer geada.

“Os produtores de legumes, que já passam pela entressafra, podem ser prejudicados. Por isso os preços podem subir ainda mais em julho. Também vai atrapalhar a colheita do milho. Já o preço das verduras deve cair”, comenta.

Ponderações

Na opinião dele, a chuva vai trazer mais benefícios que malefícios, favorecendo horticultura e fruticultura. “Para a próxima safra (a chuva) é excelente, incluindo a cultura de grãos e para o pasto”, comemora.

O Corpo de Bombeiros também considera as precipitações bem-vindas. Durante o inverno a corporação atende cerca de 30 ocorrências de fogo em mato em terrenos baldios. A média deve cair pela metade, se a previsão meteorológica estiver correta e a chuva vier.

“As previsões para os meses de fevereiro, março e abril ficaram muito próximas da realidade. Foram excelentes pela ótica de um pesquisador”, afirma Figueiredo.

O otimismo dele com a tecnologia que permite indicar as características do inverno são compartilhadas pelo coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. No entanto, Brito não esconde o receio de que as águas provoquem desabrigados, como aconteceu há pouco mais de dez anos.

Neste caso, o atendimento às famílias é mais complexo devido às baixas temperaturas, informa. As temperaturas médias para julho e agosto devem variar entre 16 e 18 graus, respectivamente. O período registra temperatura média entre 14 e 15 graus.

Mesmo assim, em caso de necessidade, o número de cobertores e pratos quentes a serem oferecidos para as vítimas é maior do que o disponibilizado durante o verão. Além disso, explica Brito, as pessoas não podem ficar aglomeradas num mesmo local sob o risco da proliferação de microorganismos.

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