Política

Para Herrmann, PT aprende com erros

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O deputado federal João Herrmann Neto (PPS), líder de seu partido na Câmara Federal, comentou ontem, em visita a Bauru, que o governo petista comandado pelo presidente Lula está passando por um processo de aprendizado político ao ter que lidar com crises de gestão logo no início do mandato. Em sua opinião, o resultado pós-crise será bom para o PT e para o País. “Para o processo democrático, esse vício de achar que, por ser esquerda, sou o melhor vai amadurecer e o país ganha e o PT também. Esse vício levou o PT a um processo autoritário que, com algumas crises, volta ao leito natural da política”, sintetiza.

Para Herrmann, os últimos episódios de crise em torno do governo geram uma espécie de depuração política petista contra essa veia autoritária de pensar e agir. Ele exemplifica com o caso que envolveu o ex-assessor da presidência, Waldomiro Diniz (envolvido em denúncia de cobrança de propina junto a empresários do jogo do bicho), o do piloto americano que se deixou fotografar mostrando o dedo em tom de ofensa ao desembarcar em um aeroporto brasileiro no início do ano e a ordem de expulsão do País do jornalista americano Larry Rohter (que publicou artigo nos EUA falando sobre o hábito de Lula de ingerir bebida alcoólica).

“Nos últimos três meses, o PT cometeu erros de avaliação que são próprios da cultura petista. Esses episódios terminam com essa idéia de que os petistas eram os únicos bons, os únicos sérios e que só eles faziam história de esquerda nesse País”, comenta.

O deputado federal lembra que, até março deste ano, o governo Lula era aplaudido por todos os cantos do País. “A crise política que se abateu sobre o governo há três meses vai servir para colocar algumas coisas no lugar. Até 13 de março passado todo mundo só louvava o governo. O governo não soube estancar no início essa hemorragia com o episódio Diniz. E isso se deu por um vício político autoritário do PT. Mas as questões macro no País não mudaram”, avalia.

“O PT repetiu os erros de avaliação, por não estar acostumado a lidar com esse tipo de crise, ao querer expulsar o jornalista que fez críticas ao presidente no jornal New York Times. Não digo sobre o artigo, mas sobre o erro de querer expulsar. Acharam que essa matéria era igual ao episódio do piloto americano que apontou o dedo no aeroporto ao ser revistado. Um erro de avaliação na hora de lidar com o problema”, reforça.

João Herrmann também pontuou sua visão sobre a posição dada pelo Partido Liberal (PL) nesta semana que, com as bençãos do vice-presidente da República, José de Alencar (PL), divulgou um manifesto contra o rumo adotado pelo governo até este momento, sobretudo na área econômica.

Para o deputado, essa atitude dos liberais estimula apenas o desgoverno do país, através de um manifesto que, em sua opinião, contraria a carta aos brasileiros assinada pelo PL e o PT durante a campanha presidencial. “Vamos lembrar que o PT não está mexendo em uma coisa diferente do que descreveu e o povo brasileiro aceitou, na carta aos brasileiros. O presidente Lula disse isso naquela carta, na eleição. E o vice na chapa era o mesmo PL, do vice-presidente José de Alencar. Portanto, quem menos tem legitimidade para criticar o governo Lula é o Partido Liberal, que assinou essa carta e governa debaixo dela. E são posições agora em desacordo com esses compromissos que desgovernam o País”, critica.

O deputado considera que esse tipo de ação prejudica o País, aqui dentro e no Exterior, porque ferem a imagem institucional do presidente da República. “A imagem do presidente não pode ser arranhada. Sua autoridade tem que ser preservada e esse tipo de comportamento gera isso”, comenta.

Legislativo e municípios

Para o deputado Herrmann, a Câmara Federal está dando uma resposta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação à tentativa de redução no número de cadeiras do Legislativo para a eleição deste ano. “A intervenção do Tribunal nesse processo foi autoritária, ilegítima e descabida. A representação proporcional, do Legislativo, é a maior arma que a população tem. Em um regime presidencialista, o Executivo se elege e não tem nenhuma proximidade com a população. Ao passo que o vereador é a ventosa social, que está no enterro, batizado, na casa, na quermesse, na missa, nas reuniões, na Câmara, no campo de futebol. Reduzir o número de vereadores é uma ameaça”, avalia.

Herrmann acha que a nova regra, em votação no segundo turno na Câmara dos Deputados, torna mais equilibrada a relação entre número de vereadores e a população. Pelo projeto aprovado em primeiro turno, Bauru, por exemplo, continuaria com 21 cadeiras.

“Mas havia aberração, em cidades com 5 mil habitantes e 17 vereadores. O Congresso está repudiando a intervenção do TSE e regulamentando, reduzindo um pouco o número de vereadores para pequenas cidades, vai para sete, e mantendo as escalas intermediárias com alguns ajustes. Com isso, regulamenta e dá um certo equilíbrio”, complementa.

Paralelo a esse tema, o deputado lembra que o Congresso freou as facilidades para a multiplicação de novos municípios no País. “Isso foi equacionado porque era uma festa criar municípios. Vilas viravam cidades com emanciparão do dia para a noite e agora a regra dificulta isso, o que era preciso porque distorce o processo de organização social e política”, acrescenta.

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