Rural

Programa brasileiro de etanol vai ser discutido em Xangai no dia 26

Por Murilo Murça de Carvalho | Correspondente JC em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - No próximo dia 26, em Xangai, inserido no seminário “Brasil-China: Uma Parceria de Sucesso”, haverá um debate específico sobre etanol e as possíveis parcerias entre os dois países. A exposição sobre o programa brasileiro de etanol combustível, capacidade de produção atual e futura, vantagens competitivas do etanol produzido no Brasil e exportação será feita pelo presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho.

A Petrobras apresentará sua experiência com o etanol e suas misturas com a gasolina, infra-estrutura e logística para etanol combustível. A Coimex S.A. ficou encarregada de apresentar os aspectos técnicos e comerciais relativos à exportação do etanol brasileiro. A Fiat Automóveis do Brasil e a representação da Magneti Marelli tratarão dos aspectos tecnológicos de motores com esse combustível.

A prospecção de negócios com a China nas áreas de álcool, etanol e açúcar já ocorre há vários anos, segundo a Divisão de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores. Os primeiros contatos formais foram realizados ainda em 2002, segundo o diplomata Rodrigo de Azeredo Santos, quando houve uma missão esteve na China com o objetivo de trocar experiências e negociar o compartilhamento de tecnologia, desde a fase agronômica da cana até o desenvolvimento e produção de motores adequados a esse combustível.

Azeredo Santos afirmou ser muito difícil dimensionar, no momento, o potencial de importação de etanol pelos chineses. Ressalvou que, pelo estilo de governo e de negócios na China, não se pode pensar exclusivamente em vendas, mas no estabelecimento de parcerias e de troca de experiências que, ao final, poderão ser benéficas aos dois países. E que, um dos motivos do interesse chinês era a possibilidade de redução da poluição com a utilização do etanol combustível ou o álcool hidratado para adicionar à gasolina.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, também tratou do assunto em uma viagem à China, em outubro de 2003, e há dois meses o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esteve naquele país com uma missão diplomática acompanhada de uma delegação de empresários ligados ao setor.

Azeredo Santos informou que a China já fez experimentos com o etanol como combustível de automóveis, mas a tentativa não prosperou, sendo que os dois principais motivos foram o receio dos consumidores quanto à garantia de oferta do novo combustível, como pela baixa tecnologia dos motores a álcool chineses.

“O que se pretende, agora, é fechar o ciclo que vai da produção da cana aos motores flex fuel”, disse o diplomata, uma vez que já não se pensa mais em investir em tecnologias para adaptação dos motores a gasolina para uso do álcool, mas no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos motores bicombustíveis, que podem usar tanto um quanto outro ou ambos, em qualquer proporção de cada um na mistura.

Comentários

Comentários