Regional

Inquérito responsabiliza guia de rapel

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Brotas - A Polícia Civil de Brotas (100 quilômetros a Leste de Bauru) concluiu que uma falha humana teria causado a morte da bancária Andréia Cristina da Silva, 27 anos, durante a prática de rapel em uma cachoeira na cidade. O guia Sandro do Nascimento Barbosa, 38 anos, foi responsabilizado pelo acidente e indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Andréia, que era funcionária de um banco na região de Campinas, morreu em 24 de janeiro deste ano. Ela estava iniciando a descida pela cachoeira, com uma corda guiada, quando caiu de uma altura de cerca de 40 metros e despencou sobre as pedras. O acidente foi registrado dentro do sítio Três Quedas, na cachoeira da Figueira.

Segundo o delegado titular de Brotas, responsável pelo inquérito, Pedro José da Silva, não foram encontradas falhas nos equipamentos utilizados pela vítima. O laudo da perícia apontou que as cordas usadas pela bancária eram novas e de boa qualidade.

Com isso, excluindo a possibilidade de defeito técnico dos equipamentos e considerando o depoimento das testemunhas, a polícia concluiu que o acidente teria sido causado por falha humana.

“O guia foi indiciado porque ele era o responsável pela segurança”, diz o delegado, lembrando que a função do instrutor em caso de algum problema era travar imediatamente o equipamento.

O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público, que pode ou não oferecer denúncia à Justiça. Caso o guia seja condenado por homicídio culposo, deverá responder pena de um a três anos de detenção.

Cerca de dez pessoas foram ouvidas durante o inquérito. A polícia também contou com os resultados dos laudos do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal (IML) para concluir as investigações. Segundo o IML, a causa da morte da bancária foi traumatismo craniencefálico e raquemedular.

Barbosa, que é morador de São Pedro (SP), atua como professor de Educação Física e técnico em esportes verticais. No dia do acidente, ele era um dos instrutores da empresa Mata Dentro.

De acordo com o delegado, criminalmente a empresa não foi responsabilizada pelo acidente. “Não foi levantado, pelo menos ao meu modo de ver, nenhum elemento, conduta ou omissão direta por parte da empresa que desse causa direta ao acidente”, diz.

Desde que o turismo passou a ser explorado em Brotas, há cerca de dez anos, esse foi o primeiro acidente com morte registrado em uma cachoeira do município, durante a prática de esportes radicais supervisionada por agências.

Depoimento

Conforme matéria publicada pelo JC, em depoimento prestado a polícia Barbosa teria alegado que no dia do acidente existiam dois instrutores orientando a saída dos praticantes na parte superior da cachoeira. Na parte inferior, ele e outro guia estavam controlando a segurança das descidas.

Segundo a polícia, Barbosa teria afirmado que, no momento do acidente, as atividades já estavam sendo finalizadas e ele não teria sido comunicado pelo guia da parte superior da cachoeira de que Andréia iria iniciar a descida. Por isso, estaria fora de sua posição de segurança.

No depoimento, alega ainda que quando percebeu que a bancária estava descendo em queda livre, teria tentado executar o travamento da corda, mas não conseguiu.

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