Auto Mercado

Circulando: Haja paciência!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Dizem que quem espera sempre alcança. Uma das provas disso é o comerciante Ademir José de Souza, residente na vizinha Piratininga (15 quilômetros a noroeste de Bauru). Apaixonado por Fuscas, ele esperou pacientemente por dez anos até tornar-se o feliz proprietário do modelo da Volkswagen.

Mas qual a razão de ter demorado tanto tempo para adquiri-lo? Simples: foi o período que ele demorou para convencer a irmã a lhe vender o carro, alvo antigo do desejo de Ademir. “Praticamente era o veículo da família e sempre falava para ela lembrar de mim quando fosse vendê-lo. Ficava enchendo minha irmã até que chegou a hora dela trocar de automóvel”, recorda, sem disfarçar a felicidade.

Ele brinca que conseguir comprar o “Fuscão”, um modelo 1965 com motor 1200 cilindradas, foi mais difícil que reformá-lo posteriormente. Mas a insistência não foi por acaso em razão do carinho que ele sente pelo veículo. “Ele sempre é o primeiro carro da gente. O tempo vai passando, mas o Fusca é inesquecível”, ressalta Ademir.

Realmente o automóvel sempre esteve presente nas lembranças do comerciante. Tanto que, tão logo o comprou, Ademir já sabia exatamente o que pretendia fazer para deixar o Fusca com a sua “cara”. “Já tinha planejado equipá-lo inteirinho, mas mantendo o maior nível possível de originalidade”, conta.

Ademir recorda que tomou tal decisão porque o carro estava com a lataria em ordem, mas com a pintura desgastada e sem vários acessórios originais. “Era um Fusca peladão que foi totalmente restaurado”, resume o piratininguense.

Para isso, o comerciante contou com a fundamental ajuda de dois amigos mecânicos - André e Eduardo -, os conhecidos irmãos Willys. “Eles deram uma força imensa, principalmente para encontrar as peças e acessórios que faltavam, a maioria disponível apenas na Capital paulista”, ressalta.

O resultado final encheu os olhos de Ademir. O “pelado” Fusca deu lugar a um outro novo em folha, quase todo equipado com acessórios originais. Uma das exceções é o motor, cuja versão 1200 cilindradas foi substituída por uma 1300, que ganhou pintura exclusiva. “No começo fiquei meio assustado quando vi peças pintadas em amarelo, mas no final ficou bonito”, lembra.

No restante, o “Fusquinha” dá show de beleza e originalidade. A começar pela aparência externa e a atraente cor azul clara, além dos cromados nos retrovisores, pára-choques, rodas, soleiras e limpadores de pára-brisa, além das estilosas inscrições Volkswagen no capô e na tampa do motor.

Na dianteira, também não podia faltar as “sobrancelhas” nos faróis, uma das marcas registradas do modelo desta década e acessório que virou “mania”. Já no interior, o que mais desperta a atenção é o estofamento dos bancos e dos papelões das portas, todos mesclados com faixas azuis e brancas. Completam o visual do “cockpit” um invocado equipamento de som composto por tocador de CDs e alto-falantes.

Após a conclusão da reforma, que durou oito meses e consumiu razoável quantia de dinheiro, Ademir quase não conseguia dominar a ansiedade. “Levei-o para casa, acendi as luzes da garagem e peguei uma cadeira para sentar e observá-lo”, revela o comerciante.

Já de posse do carro, Ademir diz-se preparado para enfrentar o “assédio” dos olhares curiosos e as situações pitorescas que um carro tão carismático como o Fusca costuma causar. “Sei que uma hora isso vai ocorrer”, prevê. E acrescenta: “Agora também tenho uma boa desculpa para rodar por aí, passear com a família e visitar os amigos”, conclui.

____________________

Perfil

Nome: Ademir José de Souza

Idade: 45 anos

Profissão: Comerciante

Hobby: Churrasco

Cores preferidas: Preta, branca e azul

Time do coração: Corinthians

Para quem o senhor nunca daria carona no “Fuscão”? “Para um palmeirense.”

E quem o senhor faria questão de levar no Fusca? “Minha esposa Jussara.”

O que mais lhe irrita quando está ao volante? “As navalhadas dos motoristas, que não prestam atenção e não seguem as regras de trânsito.”

Que nota o senhor daria aos motoristas de Piratininga? E os de Bauru? “11 para os de Piratininga e 7 para os bauruenses.”

Comentários

Comentários