Em meio aos lampejos de integridade moral e cívica dos nossos representantes na chamada câmara municipal, uma tônica contrastante da maior contradição possível e imaginária surge (não é de hoje). Na temporada de caça aberta ao prefeito algum tempo atrás com as mais diversas alegações, como desmando, ações ilegais além de tantas outras coisas que diariamente surgem, pudemos acompanhar a apresentação de gravações e mais gravações. Nestas fitas, as mais bizarras declarações em tons de vingança, traição ou zelo exemplar pelos destinos da cidade podem ser ouvidas. Entretanto quando os autores são questionados pela imprensa local, negam como se sofressem de perda de memória recente ou então se dizem enganados, pois não sabiam que o bate-papo estava sob o efeito de uma tecla REC de algum gravador ardilosamente conectado ao aparelho telefônico utilizado. Nesta busca desenfreada pela chamada moralidade no comando do município vê-se de tudo. Porém, quando surge alguma denúncia contra alguém do grupo que constitui nossa mui digna Casa de Leis nada acontece. Ou então, em alguma sessão solene de nosso Legislativo, decide-se por maioria que, mesmo com provas e evidências muitas vezes contundentes, a calda de algum parlamentar ficou presa no curso do mandato, o mesmo ou mesmos que foram beneficiários da “lei de Gerson†nada podem sofrer. Seria isto por que se puxar o fio da meada e um ou todos estariam presos??? Daí, a população que acompanha com ansiedade o baixar das cortinas no episódio com a esperança de que um bom exemplo seja dado pelos comandantes, fica como o marinheiro abandonado, a ver navios.
Não sou muito ligado à política e até sou um pouco avesso a este meio, mas não poderia deixar de expressar minha indignação com as coisas que têm havido em nossa querida Bauru já há algum tempo. É preciso frisar, todavia, que nós, enquanto população, somos os maiores responsáveis pela situação de nossa querida terrinha, pois não sabemos votar e em todas as eleições, por interesses pessoais ou favorecimentos diversos, acabamos elegendo, ou melhor, colocando no leme de nosso barco chamado Bauru, pessoas que posteriormente trabalham em benefício próprio e se esquecem de que a província é um todo e não um segmento em particular que deva ser agraciado com benefícios da administração pública. Para encerrar, devo dizer que me vem à mente algo dito por alguém em um passado distante, mas que retrata nosso momento não como cidade apenas mas como país: “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, os rigores da lei; e aos demais, somente a leiâ€. (Francisco Carlos Sanches - RG 9.827.122)