Política

Para socióloga, interesse no documento sobrepõe o voto

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A professora de sociologia Elisabeth da Fonseca Guimarães, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia-(MG), estudou o comportamento dos jovens na faixa dos 16 anos de idade durante as eleições, inclusive como eles escolhem seus candidatos antes de partir para as urnas. Dentre os vários componentes apurados na sua pesquisa, destaca-se o interesse em se inscrever no Cartório Eleitoral para pedir o título de eleitor apenas para ter o documento disponível para eventual necessidade.

“Parece até simplório falar isso, mas o jovem tem preocupação em votar apenas para ter os documentos em dia. Ele pensa: ‘Preciso arrumar todos os meus documentos’. A preocupação inicial é essa. Em seguida, vem o interesse pelos candidatos”, explica.

Outra vertente analisada pela socióloga é a questão do critério de escolha dos personagens eleitorais. “O jovem decide muito pelo aspecto de simpatia. O critério acaba sendo muito subjetivo. Há um envolvimento em relação à maneira do candidato falar, de se vestir, e com aquela confiança que o candidato inspira nele.”

Elisabeth diz que o jovem é um telespectador assíduo dos programas de propaganda eleitoral gratuitos na televisão, contrariando o que a maioria dos adultos pensa. “Os jovens vêem os programas. Essa imagem do programa eleitoral vai ao encontro do que o jovem está esperando. A aparência do candidato também pesa muito na hora da escolha”, defende.

A professora também pesquisou jovens na periferia - muitos dos quais não vivem com o pai e sim com a mãe. “Percebi a importância que o filho dá na sua decisão em relação à mãe. Porque a mãe é uma pessoa confiável, está com ele todos os dias. É uma pessoa que assiste o programa eleitoral junto com ele. E isso influenciará muito na maneira como o jovem vai votar”, analisa.

A socióloga avaliou, ainda, que o dia da votação para o jovem é uma festa. â€œÉ um dia de festividade. Geralmente, eles ficam no lugar da votação praticamente o dia todo. É tudo novidade. Por mais que ele se lembre que o ato de votar é uma responsabilidade cívica, não há como se livrar da questão da juventude, de fazer daquele lugar um ponto de encontro, de namoro.”

Ela questiona a legislação aprovada em 1988, que permitiu o voto facultativo aos jovens a partir dos 16 anos. “Eu, particularmente, acho que se poderia esperar o jovem completar os 18 anos para dar a ele o direito do voto. O que se viu foi uma pressa muito grande para se arrebanhar eleitores. É uma situação contraditória. Muitos são até arrimo de família e outros estão até numa situação de infantilidade.”

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