O jovem Carlos Eduardo do Valle, 22 anos, uniu o útil ao agradável. Escolheu um trabalho que também fosse o seu lazer. Instalou uma banca de frutas no trevo de Ibitinga-Tabatinga (125 quilômetros a Noroeste de Bauru). Com um guarda sol de praia, ele se protege dos raios solares enquanto aguarda os clientes. É bem verdade que a maioria dos motoristas que param no trevo procura por informações, mas entre uma dica e outra, ele consegue comercializar, em média, 200 melancias em três dias.
O mais importante para Valle, no entanto, é que as vendas ultrapassam o salário que recebia como funcionário de uma empresa de bordados na cidade de Ibitinga. “Comercializar frutas rende um salário médio de R$ 1 mil, fora as despesas. Eu ganhava R$ 500,00 como empregado e ainda tinha que cumprir horário e agüentar o mau humor do chefe.â€
Para atrair o consumidor e viajante, Valle colocou à venda suco de laranja, o coco gelado, a mandioca e a poncã. “Os viajantes param para tomar um suco e acabam adquirindo algo mais.â€
Ele explica que trabalha há um ano com frutas e comercializa aquelas que estão na época da safra. “Fico sabendo onde estão as plantações e vou pessoalmente conferir a qualidade. Comercializo melancia, abacaxi e alguns legumes.â€
O preço, ele garante que é muito melhor do que os de mercado. “A melancia maior que eu vendo por R$ 4,00 é vendida no comércio por R$ 6,00.â€
A chuva e o frio são sinônimos de queda na vendas. “Para mim é difícil ficar parado aqui com chuva e no frio, poucas pessoas consomem suco ou coco gelado.â€
Como os demais vendedores de beira de estrada, Valle teme pela própria segurança. “Minha preocupação são os ladrões. Nunca aconteceu nada de ruim comigo, mas fico esperto na observação.â€
O vendedor de melancias concorda que se montasse uma banca de informações e cobrasse por elas faturaria mais. “Os motoristas não sabem para onde ir, qual estrada seguir e param aqui para pedir informações. Com isso, já sei tudo sobre as estradas da região.â€
Entre um cliente e outro, Valle observa a imprudência dos condutores. “Eles trafegam em alta velocidade e não respeitam a sinalização. Eles param no meio da pista quando ficam na dúvida e ultrapassam em locais proibidos. Eu fico com medo que eles subam na guia e me atropelem.â€