O aposentado Milton Pereira da Silva é dono de uma barraca que comercializa melancia, banana, abóbora e coco verde no quilômetro 371 da rodovia que liga Bauru a Iacanga. Carismático de carteirinha, ele faz amizade com todos os clientes. Entre uma história e outra, acha tempo para compor músicas para os católicos e avisa que em breve vai lançar um CD. Para o aposentado, os produtos fresquinhos e mais baratos são os itens que cativam a clientela.
Produtor de banana, abóbora e maçã, ele segue uma rotina não muito tradicional de “chacreiroâ€. “Eu moro em uma vila de Jacuba e minha chácara fica na área rural. Acordo às 5h e vou para chácara. Rego a roça e cuido das galinhas e dos animais. Por volta das 8h, venho para a barraca.â€
Ele confessa que as horas que passa na barraca são de lazer. “Aqui encontro muita gente, faço amigos e eles voltam, mesmo quando não vão comprar, só para bater papo.â€
Quando não há clientes, o aposentado compõe suas músicas. “Para mim é uma terapia. Olhando a estrada e os carros passando eu me inspiro a escreverâ€, comenta.
Como “terapeutaâ€, Silva tem histórias. “Como sou pessoa de muita fé e todos que me conhecem sabem disso, acabei virando terapeuta de algumas pessoas. Tem gente que vem aqui para contar seus problemas e para eu fazer orações.â€
Com os andarilhos da estrada, Silva tem grande afinidade. “Todo dia, eu trago o almoço e deixo metade da marmita para aquele que passar por aqui primeiro. Eles chegam com fome e eu dou a comida. Falam pouco porque estão acostumados a ficarem sozinhos. Comem e, antes de sair, dizem ‘Deus lhe pague’. Quando isso acontece, fico satisfeito por ter feito minha caridade diária.â€
Instalado há seis anos no mesmo local, o “chacreiro†diz que só teme as pessoas maldosas. “Se fico cismado com algum cliente, procuro atendê-lo da menor maneira possível para que ele não me estranhe.â€
Ele reclama das baixas temperaturas. “No outono-inverno, o faturamento cai muito. Às vezes, fico o dia todo para vender um produto. No verão é possível conseguir uma venda melhor.â€
O comerciante garante a qualidade dos produtos comercializados por ele. “Eu vendo produtos da minha roça. São apanhados no dia. Tudo fresco e barato.â€
Para confirmar a propaganda, ele conta que vende um cacho de banana nanica com 50 bananas por R$ 3,00. Um cacho maior, com cerca de seis dúzias, é comercializado por R$ 4,00.
É no final de semana e no início da noite que as vendas aumentam na barraca do seu Milton. “Pela manhã, os viajantes vão trabalhar e quando retornam para casa é que compram. No final de semana, o movimento é melhor.â€
Barraca dos Quatis
A barraca do seu Milton também é conhecida como a barraca dos Quatis. Isso porque na mata que fica atrás existe vários animais dessa espécie. Quase que diariamente, os animais deixam a mata para se alimentar das frutas que o barraqueiro oferece. “Eles chegam em bandos e são muito mansos. Gostam de abacaxi e de todas as frutas doces.â€
A amizade do animal com o homem custou uma cerca. “Eu tive que cercar as frutas da barraca, porque, quando eles chegavam, queriam arrastar os abacaxis para o meio da mata. Desde então, eles aguardam eu oferecer o alimento.â€
Uma fêmea ficou sem aparecer por um tempo e o barraqueiro até achou que ela tinha morrido. “Ela apareceu depois de uns 60 dias com seus lindos filhotinhos.â€