Saúde

Desnível exige atenção redobrada

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Para garantir a saúde dos dentes, é importante manter uma boa higienização por toda a vida. Mas existem duas fases em que os cuidados precisam ser redobrados. A primeira delas vai dos 6 meses aos 3 anos de idade, em média, quando nascem os dentes de leite. A segunda vai dos 6 anos aos 12 anos aproximadamente, quando a primeira dentição é substituída progressivamente pelos dentes permanentes.

Profissionais ouvidos pela reportagem salientam que, nessas duas fases, existe um desnível entre os dentes que já eclodiram completamente e os que estão nascendo. Se não tiver cuidado, a criança vai escovar apenas os que estão mais altos, permitindo que os resíduos alimentares fiquem acumulados na superfície dos dentes mais baixos.

Segundo as dentistas, a higiene deve começar pelo fio dental. “Com dois dentes já se deve usar o fio no bebê, pois já é possível aparecer uma cárie entre eles”, adverte a professora de odontopediatria da Universidade Paulista (Unip), Nildiceli Zanella.

O segundo passo é a escovação, que deve ser acompanhada rotineiramente pelos pais, na opinião de especialistas da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Até por volta dos 6-7 anos, a criança não tem coordenação motora suficiente para escovar os dentes adequadamente sozinha. A gente aconselha a mãe a supervisionar ou mesmo fazer a escovação”, comenta a dentista Regina Célia Fraga.

No programa Bebê Sorriso da USC, as mães são orientadas a assumir a escovação dos dentes dos filhos pelo uma vez por dia, preferencialmente antes de dormir. “Orientamos a mãe a deitar a criança na cama e fazer a escovação posicionando-se por trás da cabeça da criança, como o dentista faz. Nessa posição ela consegue ver e limpar todos os dentes da criança, mesmo que ainda estejam em desnível”, afirma Fraga.

“Essa higienização é super importante. Por isso, se a criança não deixar, os pais têm que forçar um pouco. Peça ao pai para segurar as pernas e os braços se for necessário, mas tem que fazer. Com o tempo a criança acostuma”, completa Graziela Marafiotti.

Flúor

Questionadas sobre o uso do creme dental, as especialistas advertem que é preciso muito cuidado com a quantidade oferecida à criança. O flúor é uma importante ferramenta na prevenção às cáries. Em excesso, porém, ele causa uma doença chamada fluorose, que causa manchas e desgastes nos dentes.

Como o flúor já está presente na água tratada e em vários alimentos, o uso do creme dental comum é contra-indicado pelos dentistas para bebês e crianças que ainda não sabem cuspir o produto. Nessa fase, elas recomendam a escovação só com água.

“Quando a criança aprender a cuspir, você pode começar a usar o dentifrício, mas numa quantidade muito pequena. A recomendação é que se use uma porção equivalente ao tamanho de meio grão de arroz cru espalhado sobre a escova, lembrando de enxaguar bem a boca da criança”, comenta Marafiotti.

Para crianças maiores, que já sabem expelir o produto, as dentistas admitem o aumento da quantidade - mas nunca ultrapassando o equivalente ao tamanho de uma ervilha. Em ambos os casos, as dentistas recomendam o uso de produtos feitos especialmente para crianças. Na dúvida, deve-se consultar o profissional.

“O que importa não é o creme dental, mas o movimento adequado da escovação. O que importa é remover o resíduo dos alimentos e a placa bacteriana. O creme dental ajuda sim, dá sabor, sensação de refrescância e tem componentes, como o flúor, que ajudam na higienização e preservação dos dentes. Mas eles não agem sozinhos. O que resolve, realmente, é a escovação adequada”, reforça Fraga.

A regra vale também para os bochechos. Na opinião de Zanella, eles só devem ser indicados na infância para crianças que apresentem fatores específicos de risco para cáries, como o uso de aparelhos ortodônticos, doenças na boca que dificultem a escovação adequada ou cáries que estejam em progressão (durante o tratamento).

“A gente não recomenda o uso indiscriminado e sugere que os pais levem seus filhos ao odontopediatra regularmente. Só um profissional pode avaliar as necessidades de cada criança e indicar o produto mais adequado para aquela faixa etária”, encerra Zanella.

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Na hora certa

As dentistas ouvidas pela reportagem recomendam que a ingestão de doces, em geral, deve respeitar horários determinados. O ideal, segundo elas, é que eles sejam servidos logo após as principais refeições, como sobremesa.

As especialistas explicam que o hábito de escovar os dentes após as grandes refeições já está mais enraizado na população e isso vai eliminar os resíduos de açúcar da boca. “O doce em si não causa cáries, mas facilita a proliferação das bactérias, favorecendo a cárie”, comenta a professora Catherine Ferraz Sorace, da Universidade do Sagrado Coração (USC).

“É muito melhor a criança comer várias bolachas doces de uma só vez no café da manhã, por exemplo, do que comer uma bolacha várias vezes no meio do dia. Porque escovar os dentes depois do café já é rotina e no meio do dia não”, observa a odontopediatra Nildiceli Zanella, da Universidade Paulista (Unip).

Outro alerta é para o uso de açúcar, chocolate e outros produtos adocicados na mamadeira. “A criança não nasce gostando do doce. A mãe introduz. Do ponto de vista nutricional, basta o leite - puro”, alerta a dentista Regina Célia Fraga, professora da USC.

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