Gastar ou guardar, eis a pergunta que não quer calar. Ao receber a mesada, muita gente tem vontade de sair torrando tudo na mesma hora. Mas é possível fazer esse dinheiro render para financiar alguns sonhos de consumo. Quer saber como? Investindo as suas economias no cofrinho.
O economista Wagner Ismanhoto explica que senso de responsabilidade e força de vontade são dois itens essenciais para quem quer fazer a grana crescer e aparecer. “A pessoa tem que traçar as suas prioridades”, salienta.
De acordo com ele, o ideal é que todo mês sobre uma parte do dinheiro para ser depositado em uma poupança. “Os meus filhos recebem R$ 15,00 de mesada e sempre investem uma parte na poupança. É uma maneira de garantir o futuro”, salienta.
Para conseguir essa proeza, a primeira coisa que se deve levar em consideração é quanto dinheiro é desperdiçado com coisas supérfluas. Por exemplo, gastar tudo de uma vez em lanches, jogos e diversão pode prejudicar as suas contas no final do mês.
Ao receber a mesada, planeje todos os seus gastos. Se está nos seus planos comprar algo mais caro, como uma bolsa, uma máquina fotográfica ou um videogame, separe uma parcela do que recebe para esse fim. Quer uma dica?
Se a mesada for de R$ 50,00, logo de cara reserve R$ 10,00 para o seu cofrinho. O restante pode ser gasto em diversão com os amigos, na compra de um presente para alguém que você gosta ou mesmo para adquirir um conjunto novo de canetas.
Última geração
Um exemplo de determinação. O estudante Lucas Fernandes Nascimento, 12 anos, sabe o que quer e como vai conquistar as suas metas. Com o dinheiro que ganha dos pais e dos avós, ele já conseguiu trocar quatro vezes o videogame, sempre escolhendo uma geração mais avançada. “Esse que eu tenho agora custou R$ 600,00”, destaca.
A mãe dele, a jornalista Vitória Fernandes, conta que ele é um muquirana de mão cheia. “O Lucas só gasta quando acha que deve. Do contrário, ele não abre mão das suas economias”, explica.
Ela diz que não costuma dar dinheiro mesalmente para ele, pois já paga uma série de atividades extras para o filho. “Ele treina futebol, faz curso de informática, de inglês, não é fácil bancar tudo isso. Por esse motivo, o dinheiro só é dado para ele quando sobra”, conta.
Para se ter uma idéia da força de vontade do garoto, com as economias da mesada ele comprou uma tevê de 14 polegadas para o seu quarto e a sua mais recente aquisição foi um computador. “Agora ele está economizando para comprar uma placa nova para o micro”, comenta Vitória. Às vezes, a mãe ajuda a completar o que falta, como na TV, mas a maior parte ele economiza sozinho.
Segundo Lucas, o segredo é não ceder às tentações e manter as economias em um lugar seguro até atingir a quantia necessária para comprar aquilo que deseja. Se faltar um pouquinho, não custa nada pedir uma força para os pais. Eles vão reconhecer o seu esforço e, se puderem, vão fazer questão de ajudá-lo a adquirir o que deseja.
Na ponta do lápis
Uma maneira fácil de controlar a mesada é marcar tudo em uma agenda. Coloque em primeiro lugar qual é a sua meta (um CD, uma viagem, um skate, uma roupa). Veja quanto custa e calcule quanto você terá de economizar para conseguir o que deseja. A partir daí, tem de ter determinação e guardar o máximo que puder para alcançar a sua meta.
A estudante Fernanda Tarosso Silva, 15 anos, por exemplo, é fissurada em bolsas. Ela não pode ver um modelo na vitrine que já quer levar para casa. “Tenho mais de 20 peças”, confessa.
Para conseguir alimentar esse seu sonho de consumo, a Fer controla direitinho o dinheiro que entra. Ela recebe R$ 20,00 de mesada da mãe, Leide Clélia Tarosso Silva. Algumas vezes, o pai também contribui, dando algum trocado. “Não tem um valor certo, ele dá R$ 5,00, R$ 10,00, de vez em quando. Como não conto com esse dinheiro para as minhas contas, quando ele vem, é lucro”, explica a estudante.
Ela costuma gastar a grana que recebe dos pais em passeios com as amigas. Mas sempre tem um pouco guardado para as bolsas. “Eu amo comprar esse acessório e faço isso com o meu dinheiro”, conta.
A mãe diz que ela costuma administrar bem o dinheiro que recebe. Mas, em certas épocas do ano, gasta tudo de uma vez. “No Natal, é uma loucura. Ela quer comprar tudo o que vê e o dinheiro não rende”, lembra.
Economizar para falar
Exercitar a paciência também é importante para quem pretende começar a economizar. Jéssica Hilário Bonomo, 11 anos, ganha R$ 10,00 por semana para gastar na escola e sempre guarda uma parte para comprar produtos de seu interesse.
“Eu estava guardando um dinheiro porque tinha a idéia de comprar um skate, mas minha mãe era contra. Pedi de aniversário, mas não ganhei.”
Jéssica aproveitou a data festiva para reunir uma grana a mais em seu cofrinho. “Ganhei dinheiro das minhas avós e da minha mãe, como já tinha um pouco guardado, naquele fim de semana juntei R$ 110,00!”
Foi nessa hora que ela teve que decidir o que fazer realmente com o dinheiro e saber esperar. “Resolvi deixar o skate de lado e investir em um aparelho celular, que eu queria há um tempão”, lembra a estudante.
Ela também usa a mesada para colocar créditos e comprar suas coisas. “Agora aprendi a usar, no começo, instalei um programinha no celular que comia todos os meus créditos”, reclama. Ela aprendeu a poupar cedo. “Eu sempre tenho um dinheirinho guardado para uma emergência”, finaliza Jéssica.
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Fazer um bico ajuda
Não, definitivamente isso não quer dizer fazer pirraça. Fazer um bico, nesse caso, é conseguir ganhar dinheiro com o seu próprio esforço. Você já parou para pensar nessa hipótese?
Há muitos jovens que conseguem aumentar a sua renda mensal sem ter que ficar pressionando os pais. É possível desenvolver pequenos trabalhos sem comprometer os estudos e ainda sair no lucro.
Gabriela de Freitas do Espírito Santo, 14 anos, é um exemplo. Ela recebe R$ 50,00 de mesada dos pais. Como gosta de passear com os amigos e comprar alguns objetos pessoais de vez em quando (como roupas, sapatos e CDs), ela decidiu colocar a “mão na massa”.
A Gabi está seguindo os passos do irmão Guilherme, 20 anos, que na adolescência lavava os carros da família e dos amigos para ganhar um dinheirinho extra. Para conquistar a sua “independência” financeira, ela começou a vender cosméticos através de um catálogo. “Acho que dá para ter um lucro de vez em quando”, diz.
Gabriela já conseguiu comprar um aparelho de rádio-relógio e CD e várias calças. “Eu adoro calças e minha mãe acha que eu exagero. Então, compro com o meu dinheiro”, comenta a empreendedora.
O importante é que os bicos não interferem nos estudos. Dá para fazer essas atividades nas horas vagas. Outras sugestões seria digitar trabalhos para os colegas, fazer bijuterias, doces, salgados e oferecer para os amigos, ajudar a fazer tarefa, etc.