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Inclusão cultural


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O acesso à chamada sociedade do conhecimento é um fator decisivo para garantir o sucesso na carreira profissional e a inclusão dos sujeitos na sociedade. Entretanto, no Brasil, sabe-se que à grande maioria da população não foi dada a oportunidade de garantia a tal acesso, que ocorre basicamente por meio da escola e da educação.

Para demonstrar o impacto da baixa escolaridade na realidade do mercado de trabalho, há dados impressionantes revelados por um recente estudo do Banco Mundial: levando-se em conta a média dos trabalhadores da América Latina e seus salários, cada ano a mais de estudo de um trabalhador com formação primária completa e, pelo menos, uma série cursada no ensino secundário significa acréscimo de 9,85% no salário.

No caso de um trabalhador com formação secundária completa e um ano na faculdade, cada novo período de estudo representa acréscimo salarial de 17,26%. Entre os países da América Latina, somente Chile e Brasil ficam acima destas médias, mas nosso país é o que tem o índice mais elevado, de 15,99% e 23,29% de acréscimo salarial em cada um dos casos, respectivamente.

Tais dados revelam que não resta dúvida sobre o impacto positivo da educação na melhoria da qualidade de vida, no grau de empregabilidade e no desenvolvimento mais harmonioso de uma nação. Por isto é urgente buscar soluções e alternativas capazes de promover, com eficiência e velocidade, as transformações tão necessárias no setor da educação. Uma delas diz respeito à formação de professores, principalmente quando se considera que boa parte deles, de forma mais acentuada em algumas regiões, sequer tem a escolaridade mínima exigida legalmente para o exercício do magistério.

A Fundação Carlos Alberto Vanzolini, ligada ao Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, há oito anos desenvolve e implementa ferramentas que utilizam tecnologias de informação e comunicação para criar processos inovadores aplicados à educação. Ao longo deste percurso, criou processos eficazes de produção e gestão de e-learning capazes de viabilizar ações de educação a distância em larga escala que já foram realizados e, portanto, testados na prática.

O Brasil precisa provar, por meio de experiências concretas, ser capaz de desenvolver soluções de ponta para seus problemas. A boa notícia é que, como foi possível verificar neste exemplo da Fundação Vanzolini, o país já desenvolveu ampla gama de soluções; a má notícia é que ainda não as utiliza em larga escala. Para tanto, é necessário difundir o uso das ferramentas de e-learning já existentes, capazes de transformar processos de aprendizagem, favorecer o acesso e a conseqüente democratização do conhecimento. (A autora, Beatriz Scavazza, é doutora em Psicologia da Educação pela PUC-SP)

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