Política

Manifestação da CUT gera boletim de ocorrência e 'chuva' de ovos em vidraças

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O protesto organizado ontem pela subsede regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em frente à Câmara Municipal de Bauru gerou o registro de um boletim de ocorrência (BO) e uma “chuva” de ovos contra as vidraças do prédio do Poder Legislativo.

Os manifestantes haviam anunciado a lavagem das escadarias do prédio com desinfetante creolina para protestar contra o que classificam de corporativismo dos vereadores em não abrir Comissões Processantes (CPs) para investigar denúncias de irregularidades envolvendo viagens com carros oficiais da Câmara e prestações de contas.

Mas o presidente do Legislativo, vereador Renato Purini (PMDB), pediu à Polícia Militar (PM) que desocupasse as escadarias do prédio, não permitindo a realização da manifestação dos representantes da CUT. A intervenção dos PMs gerou um princípio de tumulto, mas o incidente não registrou vítimas.

Purini justificou que sua intenção era resguardar a Casa de eventuais atos desordeiros. “Em nenhum momento impedimos a entrada das pessoas na Câmara. Muito pelo contrário, a Casa sempre esteve aberta a todos. Mas no momento que exista a possibilidade de manifestação nas escadarias, é algo que a Câmara não pode permitir. Por isso, determinei que a lavagem não poderia ser feita”, explica.

Na avaliação dele, o ato seria um “desrespeito” ao Poder Legislativo.

“Nós tivemos no passado recente, após autorizar uma manifestação, excessos no ato. Essas mesmas pessoas que estiveram aqui hoje (ontem), fizeram manifestações nas escadarias, invadiram o prédio e o plenário da Câmara, distribuiram pizzas. Extrapolaram todos os limites possíveis do nosso regimento, da educação, da ética. Portanto, temos que preservar o Poder Legislativo”, defende.

"Pesar"

O coordenador da subsede regional da CUT/Bauru, Duílio Duka de Souza, avaliou com “pesar” a decisão do presidente da Câmara de pedir a intervenção policial para impedir a lavagem das escadarias do prédio.

“A gente não esperava essa atitude por parte do presidente da Câmara e dos demais vereadores que estão macumunados com essa sujeira. Nós exercemos o nosso direito legítimo de cidadãos e porta-vozes da sociedade na manifestação pública. Na medida em que o presidente aciona a polícia para impedir nosso ato, reverteu numa reação imediata, que foi a substituição da lavagem das escadarias da Câmara por ovos”, argumenta.

O coordenador da central sindicalista diz que a entidade não vai desistir de cumprir seu papel de cidadania. “Estabelecemos uma parceria com o Ministério Público. Vamos investigar, par e passo, todos os procedimentos dos vereadores. Vamos, no sábado, fazer uma passeata no Calçadão da Batista com cartazes e faixas para mostrar a cara desses vereadores. E na segunda-feira estaremos de novo aqui, na Câmara, para mais um ato público”, adianta.

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